Contas Número de pessoas com o nome sujo nas sete cidades atinge a marca de 1,17 milhão; no Brasil, 81% dos lares possuem pendências financeiras
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ticket médio de dívidas por inadimplentes ficou em R$ 7.617,57 em abril no Grande ABC – alta de 12,1% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando a margem era de R$ 6.793,29. A região passou de 1,04 milhão de pessoas com dívidas em atraso para 1,17 milhão em um ano. Ao todo, as sete cidades acumulam 6,2 milhões de débitos. De acordo com dados da Serasa enviados ao Diário, São Caetano contabiliza o valor médio mais expressivo (R$ 10.606,32), seguida por São Bernardo (R$ 8.147,78). O menor foi registrado em Rio Grande da Serra (R$ 5.898,18).
No Brasil, o índice de endividamento bateu novo recorde em abril, ao atingir 80,9% dos lares, aponta a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Por outro lado, o Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação do governo federal, levou 1,4 milhão de pessoas ao aplicativo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na última segunda-feira (25), primeiro dia do programa em vigor.
Morador do Jardim Santo André, o motorista de aplicativo Carlos Henrique Souza, 42 anos, convive com dívidas há dois anos. Segundo ele, a situação começou após queda na renda e uso frequente do cartão de crédito para despesas básicas. “Estou tentando renegociar tudo e cortar gastos. Voltei a fazer corridas à noite e nos fins de semana para aumentar a renda e tentar limpar primeiro as dívidas com juros maiores.”
Com R$ 18 mil em pendências, Souza pretende aderir ao Novo Desenrola. “Quero tentar sim, porque qualquer desconto ajuda. Hoje, o problema não é só a dívida, são os juros que vão crescendo.”
São Bernardo tem o maior número de inadimplentes. O município foi de 320 mil para 355 mil pessoas com contas em atraso (alta de 11%). Santo André aparece logo depois, ao sair de 269 mil moradores endividados para 307 mil neste ano (14%). Diadema completa o ranking das cidades com índices mais expressivos, ao ir de 174 mil para 196 mil pessoas negativadas em um ano, acréscimo de 12,7%.
A auxiliar administrativa Juliana Pereira, 29, moradora do bairro Paulicéia, em São Bernardo, também enfrenta dificuldades para reorganizar as contas. Ela afirma que o endividamento começou no ano passado, depois de gastos médicos inesperados.
“Faço uma reserva de salário todo mês e tento negociar parcelas menores. Comecei a vender doces para complementar a renda”, afirma. Segundo Juliana, as dívidas somadas de cartão e financiamento já passam de R$ 12 mil. ORGANIZAÇÃO Fernando Gambaro, especialista da Serasa em educação financeira, explica que os principais erros dos consumidores são a falta de planejamento e o uso descontrolado do crédito.
“O primeiro passo do consumidor é entender o seu contexto financeiro, ao mapear gastos fixos, despesas variáveis e renda ao longo do mês. Dessa forma, fica mais fácil priorizar o pagamento das contas essenciais e buscar a renegociação das dívidas.”
O especialista destaca ainda que muitos consumidores analisam apenas se a parcela cabe no orçamento imediato, sem considerar o impacto acumulado de outras despesas e financiamentos já existentes. “É importante que o consumidor calcule qual parte da sua renda será comprometida após contratar o crédito e evite assumir pagamentos que limitem sua capacidade de enfrentar situações inesperadas.”
De acordo com Gambaro, excesso de parcelamentos, uso do cartão de crédito sem acompanhamento financeiro e ausência de reserva de emergência são os casos mais comuns entre os inadimplentes. Dados do Mapa da Inadimplência da Serasa apontam que bancos e cartões de crédito representam 27,5% das dívidas. Algumas ofertas de instituições bancárias parceiras poderão ter descontos de até 90%, além de negociações envolvendo varejo, telecomunicações, contas de energia, água e gás.
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