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Salve Geral: região foi um dos pontos centrais dos ataques do PCC em 2006

Delegacias alvejadas, ônibus em chamas e mortes marcaram o Grande ABC há duas décadas

30/05/2026 | 09:00
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2º Batalhão do Taboão, em São Bernardo, foi atingido por tiros FOTO: Edmilson Magalhães 14/5/06
2º Batalhão do Taboão, em São Bernardo, foi atingido por tiros FOTO: Edmilson Magalhães 14/5/06 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Ruas desertas em pleno horário de pico, ônibus em chamas, delegacias alvejadas, assassinatos, medo e insegurança. Cenários como esses podiam ser confundidos com longas-metragens de Hollywood. Contudo, todo esse caos foi algo real, vivido de perto durante o conhecido Salve Geral do PCC (Primeiro Comando da Capital) em maio de 2006.

Além da Capital, o Grande ABC foi considerado um dos centros do movimento. Era próximo ao Dia das Mães daquele ano. No dia 12 de maio, o PCC ordenou uma onda ofensiva contra agentes de segurança com objetivo claro: paralisar as ruas e deixar um recado de força contra o Estado.

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Como explicou o pesquisador do Observatório de Segurança Pública da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Vinicius de Figueiredo, o Salve Geral surgiu após uma transferência de presos considerados lideranças ou vinculados à facção, devido ao Estado descobrir um plano de rebelião dentro dos presídios. 

“Desencadeou uma série de ataques e a execução de agentes públicos. Em Santo André, por exemplo, uma delegacia foi alvo de tiros e outras unidades chegaram a ser fechadas com o apoio de viaturas para evitar novos casos”, disse. 

O fato a que se refere o especialista aconteceu na primeira onda na sexta-feira, no dia 12 de maio de 2006, quando o 2º distrito policial andreense foi atacado com tiros por quatro homens em uma Parati branca. Já dois dias depois, o Diário noticiou que quatro ônibus foram incendiados, em diversas cidades da região, e a morte do soldado Anderson Andrade, 26 anos, após um atentado em Santo André.

A professora aposentada da rede municipal de São Bernardo, Ester Frusoni, 55, lembrou que as mães não quiseram mandar os alunos para a escola durante o episódio de violência. “De certa forma tivemos uma espécie de lockdown. Os comércios fechavam cedo, transporte coletivo diminuiu a frota e os horários foram reduzidos”, relembrou.

“O Grande ABC foi uma das principais regiões impactadas no Estado, por estar próximo à Capital. Um relatório de 2008 da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), que analisou os homicídios por arma de fogo neste período, constatou ao menos 20 mortes (em quatro cidades) na região”, relatou o pesquisador Figueiredo. No total, a crise resultou em 564 mortes por todo Estado, sendo 505 de civis. 

O fotógrafo do Diário, André Henriques, fez a cobertura na época pelo jornal. “Nunca vi nada parecido. As delegacias faziam barricadas com as viaturas. Era um clima de deserto, utilizamos carros com identificação do jornal, porque qualquer carro era abordado.”

Pela TV Bandeirantes, o jornalista Evandro de Marco, 53, que trabalhou no Diário, relatou um cenário de zona de guerra. “Foi tão tenso a ponto da emissora comprar coletes à prova de balas. Trabalhava na madrugada e era uma tensão enorme. E tínhamos a informação que o PCC estava de olho na imprensa”, relatou.

Após a ação da organização, o Brasil percebeu que o crime havia adquirido um nível de poder e influência que não podia mais ser ignorado.

Antes ignorada, facção se tornou principal inimiga do Estado

O pesquisador do Observatório de Segurança Pública da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Vinicius de Figueiredo, afirmou que o PCC (Primeiro Comando da Capital) passou por uma espécie de negligência por parte do Estado, e que após os ataques de 2006, a gestão pública passou a encarar como problema real.

“Até 2001, a facção não era assumida publicamente. Após rebeliões, era observada uma movimentação nos presídios. Porém, diziam que não tinha impacto real na sociedade. Mas em maio de 2006, o PCC consolidou a estrutura e começou a ser visto como problema de segurança pública.”

Para combater o crime organizado no Estado, foram investidos R$ 1,7 bilhão, de 2024 a 2026, segundo a SSP (Secretaria da Segurança Pública). “A estratégia prioriza a identificação de lideranças, operadores financeiros, rotas e lavagem de dinheiro. O objetivo é atingir a cadeia que financia o crime organizado”, disse a Pasta.

A expansão do crime organizado brasileiro para outros paises impulsionou os Estados Unidos a classificarem, na última quinta-feira (28), o PCC e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas estrangeiras. A classificação, válida a partir do dia 5 de junho, abre caminho para sanções financeiras e cooperação internacional mais rígida. 

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