Soluções Especialista explica que conceito vai além da digitalização de serviços e reforça que a tecnologia deve melhorar a vida da população
Foto: Celso Luiz/DGABC

São Bernardo se destacou no edital Cidades Mais Inteligentes, do governo federal, ao conquistar a terceira colocação entre os 21 municípios selecionados. Promovida pelo Ministério das Cidades e pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), a iniciativa avaliou a capacidade das cidades brasileiras de implementar e aprimorar estratégias voltadas ao cumprimento das metas do programa.
Segundo a secretária de Administração de São Bernardo, Eloá Flores, foi realizado um diagnóstico sobre transformações e maturidade de inovação. “Temos um sistema que planeja todas as ações em conjunto com as Pastas. Isso nos deu uma boa pontuação, porque mostra a integração para atender o plano de governo. Outras questões foram o Centro de Inovação e Tecnologia e a quantidade de universidades e empresas presentes”, disse.
Além do que foi analisado, a gestora destacou que a cidade inteligente contempla programas de escuta ativa com a população, como o Voz da Gente, que realizou audiências com moradores e compilou dados sobre melhorias em cada bairro. Esses dados foram transformados em políticas públicas. Sensores de problemas ambientais, como enchentes, e grandes obras de mobilidade que reduzem o tempo de trânsito também fazem parte do escopo.“A tecnologia é uma aliada para podermos ter o conceito de cidade inteligente como ferramenta para melhorar a vida das pessoas”, disse Eloá.
Com a pontuação, o município do Grande ABC contará com assessoria técnica especializada para auxiliar no planejamento da implantação de soluções tecnológicas e eficiência de serviços públicos.
GOVERNOS INTELIGENTES Como conceito do Ministério das Cidades, as gestões inteligentes combinam análise de dados, inovação e planejamento para melhorar a qualidade de vida da população. Mais do que investir em câmeras e centrais de monitoramento em tempo real, a proposta busca desenvolver soluções capazes de tornar os serviços públicos mais eficientes e aproximar as políticas públicas das necessidades dos moradores.
A fundadora da GovTech Lab, empresa do ramo de inovações, Téo Foresti Girardi, explicou que o conceito de uma cidade desse tipo ficou preso ao paradigma da instalação da infraestrutura tecnológica e não como essas ferramentas podem resolver questões sérias.
“Foi centralizada na questão de uso de câmeras, wi-fi público e central de monitoramento. Quando estamos falando de governos inteligentes, falamos da capacidade do Estado em se capacitar para utilizar essas ferramentas tecnológicas em benefício da população, de modo que possa redesenhar (e agilizar) serviços públicos para o morador”, falou.
Na prática, uma cidade inteligente significa utilizar a tecnologia para antecipar questões de vulnerabilidade, trabalhar com integração de dados, dar respostas rápidas e cuidar das pessoas de forma mais humana, conforme explicou a especialista. “A verdadeira inovação não é sobre tecnologia, mas como escolhemos utilizá-la para construir cidades mais humanas, resilientes e inclusivas. O Estado precisa cuidar das pessoas, não só se digitalizar”, concluiu Téo.
Como uma das principais iniciativas da gestão de Santo André, o Bairro Inteligente, no Camilópolis, foi implantado para aprimorar os serviços urbanos por meio da tecnologia e permitir a identificação antecipada de problemas ambientais, de convivência e de mobilidade.
“Ser uma cidade inteligente ajuda de várias formas para evitar o sofrimento humano. Dispositivos instalados antecipam desde uma luz que está danificada até um pluviômetro para monitorar o volume de chuva. O Bairro Inteligente é o grande guarda-chuva de estratégias, com sensores de ruído, de temperatura e qualidade do ar, além da faixa verde e semáforo sincronizados”, comentou o secretário de Inovação e Tecnologia de Santo André, Diego Cabral.
Os bueiros inteligentes da cidade, por exemplo, são equipamentos que possuem cestos para impedir a passagem de lixo em córregos, além de sensores que avisam quando a boca de lobo está cheia de material, evitando possíveis enchentes.
A Prefeitura de Ribeirão Pires destacou o aplicativo Ribeirão Pires Digital, que centraliza serviços públicos e atendimentos ligados à saúde, iluminação pública, mobilidade, meio ambiente, turismo, Defesa Civil e comunicação em uma única plataforma. Esse tipo de integração foi citado pela especialista Téo Girardi na reportagem acima.
De forma pioneira na região, o município também integrou a tecnologia ao conceito de melhoria ambiental. Ribeirão implantou um sistema de monitoramento das emissões de gases de efeito estufa.
Mauá destacou o Observatório Mauá, plataforma criada para ampliar a transparência e acompanhamento de políticas públicas de todas as secretarias.
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