Na Câmara Federal Deputado vê ação do MPF sobre AdviceHealth como empurrão para tirar comissão da gaveta
FOTO: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Um dos coautores do pedido de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Planos de Saúde em Brasília, o deputado federal Fernando Marangoni (Podemos-SP) afirma que vai cobrar celeridade na instauração da investigação contra as operadoras, em meio à investigação do MPF (Ministério Público Federal) contra a AdviceHealth. A empresa, com sede em Santa Catarina, é alvo de denúncias de automatização nas avaliações e uso profissionais sem formação médica para autorizar ou negar exames e cirurgias.
Marangoni é um dos maiores entusiastas para convencer o presidente da Câmara Federal, Hugo Motta (Republicanos-PB), a tirar da gaveta o pedido de investigação contra operadoras de plano de saúde perante relatos de supostas práticas abusivas no momento em que os clientes mais precisam de atendimento. O requerimento de instituição foi apresentado pelo parlamentar Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), ganhando a adesão de outros 309 parlamentares, entre eles, o podemista, com reduto eleitoral em Santo André.
A investigação movida pelo MPF pode se tornar o empurrão para tirar do papel o pedido de CPI. A AdviceHealth, que deveria prestar auditoria independente na avaliação do procedimento médico, seria controlada por empresas que ofertam planos de saúde, atendendo aproximadamente 20 milhões de brasileiros. A Promotoria teria solicitado informações à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e ao CFM (Conselho Federal de Medicina) a fim de dar prosseguimento à investigação, conforme noticiado pelo R7.
“Essa empresa não trata ninguém, não cura ninguém e não salva nenhuma vida. O negócio dela é outro: negar procedimentos médicos em escala industrial. Então, acredito que essa investigação do Ministério Público dará celeridade. Criamos, inclusive, a Frente Parlamentar pela ética na saúde suplementar e estou começando a publicizar esse absurdo que está acontecendo. O lucro dos planos de saúde saiu de R$ 3 bilhões para R$ 24,5 bilhões em dois anos (2023 a 2025)”, pontuou Marangoni.
Segundo o parlamentar, paralelamente ao aumento nos lucros, também houve outro salto, desta vez de 90%, nos casos de judicialização de clientes contra as prestadoras de saúde suplementar no mesmo período. Tal cenário, para o podemista, não é coincidência, pois viria do conceito DDD, que em inglês significa delay, deny, defend – atrasar, negar, defender, juridicamente em português –, que descreve táticas abusivas usadas por empresas de saúde. Essa estratégia de mercado vem de seguradoras dos Estados Unidos.
Essas três palavras foram escritas em cápsulas de bala recuperadas no caso que resultou, em Nova York, na morte, aos 50 anos, de Brian Thompson, CEO da UHC (United Health Care), assassinado em dezembro de 2024 por um atirador que protestava contra o sistema de saúde. A tragédia reacendeu os debates sobre os limites da atuação das operadoras de saúde, sobretudo diante das denúncias de negativas sistemáticas de cobertura, demora na liberação de procedimentos e judicialização crescente do segmento.
“Exigimos investigação sobre o modelo da AdviceHealth e o conflito de interesses. O brasileiro não contratou um robô. Não paga mensalidade para ser negado por um algoritmo. Não merece ver sua cirurgia vetada por quem tem interesse financeiro em vetá-la. Merece um médico”, salientou Marangoni.
A AdviceHealth foi procurada pelo contato fornecido em seu site, mas não retornou até o fechamento da edição.
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