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Brasileiro é preso em Paris por suspeita de estupro de crianças em pré-escola

27/05/2026 | 12:55
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*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

Um brasileiro que trabalhava como professor de música em pré-escolas foi preso em Paris na sexta-feira, 22, por suspeita de estupro, agressão e exposição sexual de crianças. O nome dele não foi divulgado, desta forma a defesa não foi localizada.

O jornal francês Le Monde informou que pelo menos outras 16 pessoas foram presas na quarta-feira, 20, por suspeita de envolvimento em casos de violência física e sexual contra crianças em pré-escolas da capital francesa.

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Outro professor também foi detido no mesmo dia do brasileiro e, assim como ele, permanece em prisão preventiva. Em nota divulgada pela Rádio França Internacional (RFI), o Ministério Público de Paris afirmou que os dois foram acusados de "atos de natureza sexual".

Segundo o Le Monde, a investigação começou em janeiro, após o programa "Cash Investigation", da emissora pública France 2, revelar casos de violência e falhas na supervisão em uma creche. Na ocasião, um jornalista infiltrado gravou funcionários gritando com crianças e uma monitora beijando um aluno na boca.

Com a repercussão do caso, foram abertas investigações judiciais e administrativas. Desde então, o número de denúncias de estupro, agressão sexual e violência em pré-escolas da capital francesa não parou de crescer.

A RFI afirmou que o brasileiro, que não teve a identidade revelada, trabalhou na Saint-Dominique, uma das creches investigadas.

Segundo a rádio, pais de alunos da instituição já tinham denunciado o professor entre setembro e dezembro do ano passado, após os filhos reclamarem que ele gritava. Na época, no entanto, ainda não haviam denúncias de violência sexual. Após as reclamações, ele foi transferido para a pré-escola Volontaires, em outro bairro.

Com a exibição da reportagem do "Cash Investigation", responsáveis pelas crianças reconheceram o brasileiro nas imagens e se reuniram. Eles relataram mudanças no comportamentos de seus filhos e passaram a suspeitar que algo havia ocorrido.

"Percebemos que as crianças eram vítimas de violência sexual dentro da pré-escola, incluindo estupros cometidos por vários monitores, entre eles este cidadão brasileiro", afirmou à RFI a mãe de uma menina de 3 anos, sob condição de anonimato.

Segundo a mulher, o brasileiro seria o responsável pelos estupros, com a ajuda de pelo menos outros dois funcionários da creche. "Talvez, com os depoimentos de outras crianças, os investigadores consigam esclarecer isso e definir o papel de cada um", afirmou.

Outro pai ouvido pela rádio, também sob condição de anonimato, disse ter se dado conta da gravidade do caso após assistir a reportagem do "Cash Investigation".

"Como gostamos muito de música na família, meu filho ia frequentemente às oficinas no período da tarde. Quando saiu a reportagem na TV, fizemos perguntas ao nosso filho para saber o que ele tinha visto, ouvido ou sofrido de violência. Ele começou a nos dizer que essa pessoa o obrigou a dar beijos nas partes íntimas", disse o homem, que tem um filho de 4 anos.

A RFI afirmou que ele registrou denúncias formais em fevereiro contra o brasileiro e outros três assistentes da instituição.

"Ele atuava com outra monitora. Eles isolavam as crianças em dupla. Ou eles os forçavam a dar beijos ou a monitora dava beijos nas nádegas deles enquanto o outro tirava fotos ou fazia vídeos", acrescentou o pai.

Segundo a associação Pequenos Heróis de Saint-Do, que representa os pais dos alunos, a monitora citada pela criança é a mesma que apareceu nas imagens do "Cash Investigation" beijando um aluno na boca.

Em 17 de maio, a procuradora de Paris, Laure Beccuau, afirmou à rádio RTL que a Procuradoria de Paris havia aberto investigações sobre incidentes envolvendo cerca de 84 creches, 20 escolas primárias e 10 centros de educação infantil.

Segundo o Le Monde, desde o início de abril, 78 funcionários de escolas foram suspensos em Paris, incluindo 31 por suspeita de violência sexual.




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