Campanha salarial Proposta de 4,36% passou pelo Legislativo por 17 votos a 4 em sessão marcada por protesto do sindicato
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O governo do prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), recebeu, nesta quinta-feira (21), o aval dos vereadores para sancionar a proposta de reajuste salarial aos servidores municipais em 4,36%, sem acordo com o Sindema (Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema), pelo segundo ano seguido. A proposta passou pelo crivo do Parlamento por 17 votos favoráveis a quatro abstenções, estas da bancada do PT, que ainda teve rejeitada a emenda que estendia o mesmo percentual ao vale-refeição, ou vale-alimentação e auxílio-saúde.
O Paço encaminhou a proposta ao Legislativo momentos antes da sessão ordinária em regime de urgência, fazendo com que o presidente da Casa, Rodrigo Capel (PSD), estabelecesse o agendamento da sessão extraordinária logo em seguida, visando à aprovação da matéria em dois turnos. Representantes do Sindema compareceram ao Legislativo para protestar com o apoio da oposição, embora o cenário de reversão do quadro no plenário fosse praticamente nulo.
O envio da proposta salarial ao Parlamento ocorreu dois dias após a reunião organizada entre os representantes sindicais da categoria, o secretário de Administração e Gestão de Pessoas, Kiko Teixeira, e vereadores, que terminou sem consenso entre os lados. Em resposta ao fracasso nas negociações, a entidade sindical mobilizou a paralisação de servidores para pressionar os parlamentares a frear o texto, mantendo apenas os serviços essenciais em funcionamento.
No uso da tribuna, o presidente do Sindema, Ritchie Soares, afirmou que o percentual de reajuste apresentado pela Prefeitura de Diadema não é digno ao funcionalismo. O maior foco do protesto foi a falta de aumento do auxílio-saúde, vale-alimentação e vale-refeição. A redação apresentada pelo governo somente estabelece os pagamentos de 2,36% retroativos a 1º de maio e outros 2% a partir de 1º de outubro. Por sua vez, a categoria também reivindicou quase 10% somando ganho real e reposição da inflação.
“Não houve acordo entre a Prefeitura, o sindicato e os servidores públicos com relação à campanha salarial de 2026, porque não há nenhuma proposta para o vale-refeição, alimentação e o auxílio-saúde. Nesta semana, tivemos a reunião em que o governo, na figura do Kiko, mais uma vez disse não aos trabalhadores. É o segundo ano seguido que mandam para esta Casa o reajuste à revelia da categoria, enquanto a gente entende que o nosso pedido é razoável. É a pior proposta de reajuste das sete cidades do Grande ABC”, disse o sindicalista.
Segundo a lista de propostas do Sindema, a classe colocou em discussão junto ao governo 3,81% de reposição da inflação via IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), e 6% de valorização salarial. O sindicato também colocou em debate o vale-alimentação no valor de R$ 852,87, conforme o valor da cesta básica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), vale refeição no valor de R$ 63,20 e aumento do subsídio do auxílio-saúde de R$ 133,40 para R$ 264.
Outro alvo de reclamação da oposição foi o artigo 2º do projeto de lei, no qual condiciona o pagamento dos 2% restantes à apuração do limite prudencial de 51,3% da folha de pagamento referente à receita corrente líquida da administração municipal, conforme diretrizes da LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal). Ultrapassado esse ponto, o município se colocaria em situação emergencial, isto é, passando a ter uma série de obrigações previstas na mesma legislação visando reduzir a despesa com pessoal.
Mesmo com o dispositivo de segurança no próprio texto, a Prefeitura de Diadema calculou impacto de R$ 18,6 milhões em 2026, mantendo sob controle o comprometimento da receita corrente líquida, com projeção de 43,01% para a folha do funcionalismo. O governo afirmou ainda que sempre buscou diálogo com outro lado da mesa de negociação.
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