Cultura & Lazer Titulo ‘70 anos, Uma Só Família’

Documentário resgata trajetória de tradicional equipe do futebol de várzea

Longa estreia nesta quinta-feira (21) em São Bernardo e reúne histórias do Nacional Vila Vivaldi

Fábio Júnior
Especial para o Diário
21/05/2026 | 09:02
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A história do futebol de várzea de São Bernardo ganha um registro inédito hoje. O documentário 70 anos, Uma Só Família estreia às 18h30, no Teatro Lauro Gomes, no bairro Rudge Ramos, contando a trajetória do Esporte Clube Nacional Vila Vivaldi, uma das equipes mais tradicionais do Grande ABC. Com 52 minutos, o longa revisita desde a época da fundação do Naça, apelido pelo qual o clube é conhecido, até a transformação do time em potencia regional.

Dirigido por Felipe Simão Cabello, profissional que produziu os documentários Billings 100 anos e Caminho do Sal, e assinado pela RECording Audiovisual e Mídias Digitais, o longa nasceu do desejo dos próprios integrantes da instituição. De acordo com o cineasta, o principal objetivo da obra é preservar uma série de histórias que poderiam se perder com o tempo. “A ideia surgiu justamente para manter viva a memória dos 70 anos do Nacional. Muitas pessoas que participaram da fundação já têm uma idade avançada e poderiam não estar aqui futuramente”, afirmou.

A produção começou em novembro de 2025, e contou com inúmeras pesquisas baseadas no acervo do escritor e ex-dirigente José Contreras Castilho. Para o produtor, o filme ultrapassa o universo esportivo. “É uma história sobre pertencimento. O Nacional é um time integro, construído com muito esforço coletivo e amor ao bairro”, destacou ele.

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O presidente João Archanjo Filho afirmou que toda ideia veio da convivência com antigos integrantes administrativos e torcedores. “Sempre tive vontade de registrar essas histórias. Muitos dos diretores que estão aqui hoje eu conheci quando era criança. Eles envelheceram contando relatos do Nacional. Eu sentia que isso não podia se perder ao longo dos anos”, disse. 

Ainda segundo ele, o documentário funciona como uma homenagem às gerações que construiram o time são-bernardense. “O Nacional é maior do que qualquer um de nós. Todos vão passar, mas o clube vai continuar”, completou. 

Atual secretário de Esportes de São Bernardo e ex-presidente do Nacional, Maurício Cardozo acredito que o longa ajuda na preservação de uma parte importante da cidade. “Não é qualquer time de várzea que consegue contar sua história em um documentário. São 70 anos de paixão, luta e amor”, comentou.

Além do lançamento no teatro, o projeto também prevê participação em festivais de cinema e, futuramente, lançamento em plataformas digitais, como o YouTube. O longa ainda possui um acervo online no site oficial do Nacional, reunindo fotos, documentos e imagens históricas.

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O campo perdido e a ascensão da instituição são-bernardense

Durante o seu processo de profissionalização, o Nacional Vila Vivaldi acabou perdendo o campo que havia sido construído pela própria comunidade do bairro que dá nome ao time, em São Bernardo, passagem narrada no documentário.

Nos anos 1970, o espaço passou ao controle do Aliança FC, equipe criada com forte apoio político na época, para disputar competições profissionais da FPF (Federação Paulista de Futebol). 

Sem estádio, o Nacional se viu obrigado a passar anos atuando em campos emprestados e enfrentando diversas dificuldades financeiras e estruturais.

O sentimento de injustiça foi evidente, marcando a trajetória do clube na modalidade. Porém, diante das adversidades, a equipe se fortaleceu. A retomada veio anos depois, quando o clube conseguiu uma nova concessão esportiva no bairro. 

O espaço atual se transformou em uma das estruturas mais respeitadas da várzea paulista, consolidando o Nacional como sinônimo de referência esportiva e social dentro do futebol amador.

Uma potência do futebol amador construída pela comunidade local

Fundado no dia 1º de maio de 1956, o Esporte Clube Nacional Vila Vivaldi se consolidou como um dos símbolos da várzea em São Bernardo. Inspirado no tradicional Nacional-SP, o clube carrega as cores azul, branco e vermelho, construindo sua identidade. 

Dentro de campo, a equipe soma cinco títulos da Liga Especial de São Bernardo (2007, 2008, 2011, 2017 e 2023), três conquistas da Copa Uniligas e ainda troféus importantes nas categorias de base e veteraníssimo. 

Entre os grandes nomes que defenderam as cores do Nacional estão o volante Fabinho Félix, que acumula passagens por Corinthians, Santos, São Caetano, Cruzeiro, Bahia, Cerezo Osaka (Japão) e Toulouse (França), além do lateral-direito Luiz Felipe, ex-Palmeiras e Benfica (Portugal), e do atacante Fernando Baiano, que foi revelado pelo Corinthians e atuou pela Seleção Brasileira Sub-20. 

Fora das quatro linhas, o Nacional mantém projetos socioeducativos e esportivos voltados para a comunidade em sua sede, que fica localizada na rua Helena Jacquey, em Rudge Ramos, São Bernardo, como sua escolinha de futebol e a tradicional festa das crianças, realizada anualmente no bairro, onde os pequenos se divertem.

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