Com morte Para a Promotoria, medidas tomadas foram rápidas e suficientes para cessar o perigo
FOTO: Celso Luiz/DGABC

O MP-SP (Ministério Público de São Paulo) arquivou a investigação aberta para apurar o surto de intoxicação por metanol registrado em 2025 em São Bernardo, episódio que provocou quatro mortes, de acordo com o despacho, e gerou forte repercussão na cidade. O promotor Marcelo Sciorilli considerou suficientes as medidas adotadas pelo poder público municipal, pelas forças policiais e pela Câmara ao longo das apurações.
A ação foi instaurada após o recebimento do relatório final da Comissão Especial do Legislativo criada para acompanhar os casos de intoxicação por bebidas adulteradas. O documento reuniu informações levantadas ao longo de semanas de trabalho, incluindo depoimentos de autoridades, representantes do setor de alimentação e proprietários de estabelecimentos comerciais.
Presidente da comissão, o vereador Julinho Fuzari (Republicanos) afirmou ter recebido o despacho com a sensação de missão cumprida. “Recebi o despacho da promotoria com sentimento de dever cumprido da comissão, que eu instalei e também presidi em um momento difícil não só para noso município, mas para todo o Estado de São Paulo, já que inúmeras cidades foram afetadas por bebidas destiladas adulteradas que levaram pessoas a óbito e deixaram outras com sequelas”, declarou.
O parlamentar ressaltou que São Bernardo reagiu rapidamente diante da crise. “Saímos na frente, instalamos a comissão e o despacho do promotor demonstra o trabalho sério e contundente realizado, chamando todos os entes envolvidos, desde o delegado até representantes do setor de bares e restaurantes, além das ações de combate à adulteração, como o fechamento de postos, visitas a estabelecimentos e fiscalização de pontos de comercialização irregular”, afirmou o vereador.
Fuzari também destacou ainda as medidas legislativas adotadas para conter novos episódios, como a criação de leis para impedir a comercialização dessas garrafas, apontadas como principal foco de adulteração das bebidas destiladas. Segundo o vereador, o relatório do promotor endossa e reconhece o trabalho desenvolvido pela comissão da Câmara.
Entre os convocados esteve o secretário municipal de Saúde, Jean Carlo Gorinchteyn, que apresentou relatórios periódicos sobre interdições realizadas pela Vigilância Sanitária, apreensões de mercadorias suspeitas e o acompanhamento clínico das vítimas.
Também prestou esclarecimentos o delegado seccional Ettore Capalbo Sobrinho, que informou à comissão que a adulteração ocorreu, em muitos casos, a partir da utilização de etanol de postos de combustíveis já contaminado com metanol. Cerca de 2.800 garrafas foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística para análise.
Em sua decisão, o promotor destacou ainda a eficiência da rede municipal de saúde na aplicação do protocolo de antídoto, com uso de etanol e fomepizol, medida que evitou um número maior de mortes. Segundo o documento, o surto foi controlado após o desmonte de redes de falsificação que atuavam na divisa entre o Grande ABC e a Zona Sul da Capital.
As investigações levaram à identificação e interdição de uma fábrica clandestina apontada como fonte das bebidas distribuídas para bares da região, além da interdição cautelar de estabelecimentos suspeitos de comercializar produtos sem procedência.
O MP afirmou ainda que a Prefeitura reagiu de forma célere, com reforço da rede pública de saúde, fiscalização intensificada e apoio às forças de segurança. Também citou como avanço institucional a aprovação da Lei Municipal nº 7.487/2025, que proíbe a comercialização de recipientes de vidro vazios destinados a bebidas alcoólicas no município.
Na avaliação da Promotoria, as providências adotadas foram suficientes para conter o problema e afastaram, neste momento, a necessidade de aprofundamento da investigação na esfera do consumidor. O órgão ressaltou, no entanto, que o caso poderá ser reaberto caso surjam novos elementos probatórios. O procedimento agora seguirá para reexame obrigatório do Conselho Superior do Ministério Público.
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