Política Titulo De 2022 a 2024

Eleitores acima dos 70 anos aumentaram mais de 61%

Com avanço das redes sociais, terceira idade segue fortemente ligada a conteúdos políticos

Felipe Delmondes Especial para o Diário
16/05/2026 | 20:52
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FOTO: Paulo Pinto/Agência Brasil
FOTO: Paulo Pinto/Agência Brasil Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Eleitores entre 70 e 89 anos cresceram 61,6% entre o primeiro turno das eleições de 2022 e o pleito municipal de 2024 no Grande ABC, passando de 15.884 para 25.669 votantes, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No mesmo período, o total de eleitores aptos nessa faixa etária subiu de 60.781 para 68.507, alta de 12,7%. Mesmo com o voto facultativo a partir dos 70 anos e o avanço das redes sociais na disputa pela atenção do eleitorado, a terceira idade segue ampliando sua presença nas urnas e mantendo forte conexão com a política na região.

Quando se observa o eleitorado com 60 anos ou mais de forma ampla em todo o Grande ABC, o movimento também se confirma. Entre as eleições municipais de 2020 e 2024, o comparecimento dessa faixa etária nas sete cidades passou de aproximadamente 246,7 mil para mais de 322,5 mil votantes, avanço de cerca de 30,7%.

Em todas as cidades da região houve elevação consistente tanto no número de eleitores aptos quanto na participação efetiva de pessoas com 60 anos ou mais, reforçando o peso da terceira idade no cenário eleitoral das sete cidades.

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O interesse, porém, vai além do período eleitoral. Telejornais, programas policiais, debates e conteúdos políticos consumidos diariamente em plataformas como Facebook e WhatsApp fazem parte da rotina de muitos idosos, que seguem acompanhando política de maneira constante, muitas vezes com mais frequência do que as gerações mais jovens.

“Quem vê mais e se preocupa mais com alguma coisa são os de mais idade”, resume a aposentada Maria de Lourdes dos Santos, de 72 anos. Moradora do Grande ABC há mais de duas décadas e atualmente residente em São Caetano, Lourdes afirma que acompanha notícias principalmente pela televisão e admite consumir programas sensacionalistas, como o Cidade Alerta. “Tem muita coisa triste, mas infelizmente faz parte da nossa realidade no dia a dia”, relata.

Apesar de dizer que nunca teve grande envolvimento político, Lourdes afirma que hoje acompanha mais informações do que antigamente. “Hoje é muito melhor para as notícias chegarem. Antigamente era rádio, agora você consegue acompanhar mais rapidamente”, diz.

O empresário Altaides Marques da Gama, de 61 anos, morador de São Caetano, afirma que a experiência de vida faz com que pessoas mais velhas acompanhem mais a política e tenham preocupação maior com decisões públicas. “A gente tem de continuar acompanhando para ver como vai ficar o nosso futuro e o dos nossos filhos”, pontua.

Gama diz acompanhar principalmente a política municipal e acredita que idosos têm peso relevante nas eleições locais. “Os políticos procuram bastante a gente dessa idade para frente. O eleitor idoso é mais comprometido”, avalia. 

Professor de Ciências Políticas da Universidade Metodista de São Paulo, Tunico Vieira afirma que a relação mais intensa entre idosos e política está diretamente ligada ao uso cotidiano dos serviços públicos. Segundo o docente, pessoas mais velhas tendem a perceber de forma mais concreta o impacto da administração pública no dia a dia.

“Depois de uma certa idade, além da experiência de vida, a pessoa utiliza mais serviços públicos e políticas públicas. Entende que aquilo interfere diretamente na vida dela”, explica. 

Para o professor, jovens muitas vezes não conseguem associar problemas cotidianos, como transporte e infraestrutura, às decisões políticas. Tunico também avalia que campanhas eleitorais passaram a direcionar mais atenção ao eleitor idoso, considerado mais fiel e participativo. “O eleitor idoso é mais atuante, mais comprometido e acompanha mais de perto a política municipal”, afirma.

A pesquisadora Renata Eisinger, da Universidade Metodista, que atua em estudos sobre envelhecimento e longevidade, afirma que a aposentadoria e a maior disponibilidade de tempo ajudam a explicar o acompanhamento frequente de notícias e debates políticos pela terceira idade.

Em projetos desenvolvidos com idosos na Metodista, alguns participantes relataram ter reduzido o consumo de “jornais sanguinários” para retomar hábitos ligados à leitura e ao pensamento crítico.

No Clube de Leitura do Programa Aquarela 60+, realizado semanalmente pela universidade, idosos participam de debates sobre livros e interpretação de textos como forma de estimular criatividade, raciocínio e análise crítica. Especialistas avaliam que iniciativas desse tipo ampliam o repertório crítico da terceira idade e ajudam a reduzir a dependência de conteúdos pautados exclusivamente pela violência e pela tragédia.




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