Maio Amarelo Número representa 12% do total de óbitos da Região Metropolitana; Santo André realiza ação com ‘lápides’ alusiva a excesso de velocidade
FOTO: André Henriques/DGABC

Em 11 anos, o Grande ABC registrou 2.438 mortes no trânsito, segundo dados do Infosiga do Detran-SP (Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo). O número representa 12% do total de óbitos (19.707) contabilizados na Região Metropolitana durante o período. De 2015 a 2025, foram 60.579 vítimas fatais no Estado.
Neste mês, o mundo inteiro se mobiliza em torno das ações do Maio Amarelo, campanha voltada à conscientização para a segurança no trânsito. Em Santo André, por exemplo, a Prefeitura instalou uma iniciativa especial no Paço para sensibilizar a população sobre o tema.
Com placas de alta velocidade e motos totalmente destruídas, a ação trouxe 41 lápides, simbolizando vítimas de acidente no trânsito no município. A campanha pretende destacar a importância do cuidado ao dirigir, desde o respeito ao próximo até o cumprimento das leis viárias.
A moradora de Mauá e auxiliar de produção Gisele Rocha, 34 anos, passou pela campanha e ficou impactada com as cruzes e as datas. “É bom para conscientizar, principalmente os jovens, que muitas vezes não respeitam as leis, empinando moto em alta velocidade. Falo para meu marido que ele não dirige só para ele, mas também para os outros”, disse.
O marido de Gisele e funcionário da indústria química, Manoel do Nascimento, 40, tirou fotos para mandar a um familiar. “Acredito que o trânsito é um local violento demais, temos que andar com cautela. E mesmo dirigindo com cuidado, às vezes alguém pode bater no nosso veículo. Se é aquela velocidade da via, devemos respeitar”, falou Nascimento.
Entre os dados das sete cidades, os óbitos envolvendo motociclistas chamam a atenção. Ao longo da série histórica, foram registradas 1.005 mortes em acidentes com motos, número que representa cerca de 41% do total de vítimas fatais no Grande ABC.
A motociclista Thayssa Silva, 22, esteve presente na campanha com sua moto. “Veio um sentimento de aflição. Como motociclista, que é meu trabalho, sei dos perigos. Fiquei pensando que poderia ser comigo (uma das placas).”
Já o técnico de judiciário, Frans Dourado, 47, falou sobre a perplexidade de como as pessoas perdem a vida nas ruas. “Essas indicações das velocidades atingidas assustam também. O corpo humano é muito frágil e uma campanha igual a essa é forte, choca mesmo”, relatou.
As placas instaladas na ação fazem referência à marca registrada no velocímetro no momento de cada acidente fatal. O secretário de Mobilidade Urbana de Santo André, Almir Cicote, afirmou que cerca de um terço das mortes no trânsito está relacionado ao excesso de velocidade nas vias.
“O Brasil tem números extremamente altos, sendo o nono país com maior taxa de mortalidade no trânsito. Então, essa campanha tem o aspecto de chocar as pessoas, porque muitas vezes tem uma outra abordagem mais pedagógica e, ao longo do tempo, percebemos que não surte grande efeito. Resolvemos fazer algo mais impactante para que as pessoas percebam a importância de diminuir a velocidade.”
Embora a campanha no Paço seja direcionada a todos os condutores, o gestor da Pasta destacou que a maior parte dos acidentes envolve motocicletas. “A maioria são trabalhadores que atuam com serviços de entrega. Eles têm a necessidade de realizar as entregas de forma extremamente rápida para serem remunerados”, concluiu Cicote.
DETRAN
Durante todo o mês, o Detran-SP realiza atividades para a campanha de conscientização, como fiscalização, ações educativas e outras. No dia 6, o departamento executou um plano focado em motociclistas de São Caetano, com foco em pessoas que exercem algum tipo de profissão. No dia 8, foi realizada iniciativa no formato de blitz educativa com foco em veículos diversos, em parceria com os municípios de Santo André e Mauá, com 800 pessoas abordadas. (Colaborou Tatiane Pamboukian)
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