Estratégia Nacional de Contraterrorismo Documento da Casa Branca inclui anarquistas, Antifa e grupos classificados como “radicalmente pró-transgênero” entre ameaças prioritárias aos Estados Unidos
FOTO: Official White House Photo by Joyce N. Boghosian

O governo de Donald Trump divulgou a nova Estratégia Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos nesta semana, documento que amplia o foco das operações de segurança interna e passa a tratar grupos considerados “antiamericanos”, “anarquistas” e “radicalmente pró-transgênero” como ameaças prioritárias ao país. A diretriz foi publicada oficialmente pela Casa Branca e apresentada pelo diretor de contraterrorismo do governo, Sebastian Gorka.
No texto, a administração republicana afirma que as atividades nacionais de contraterrorismo irão priorizar a “rápida identificação e neutralização” de “grupos políticos seculares violentos” cuja ideologia seja considerada “antiamericana”, “radicalmente pró-transgênero” ou “anarquista”. O documento também prevê o uso de ferramentas de inteligência e de aplicação da lei para “mapear membros”, identificar conexões internacionais e “neutralizar” essas organizações antes que possam “ferir ou matar inocentes”.
A estratégia marca uma mudança significativa em relação às políticas adotadas durante o governo de Joe Biden. Enquanto a gestão democrata priorizava ameaças ligadas ao extremismo de direita e ao supremacismo branco, o novo plano concentra esforços em cartéis latino-americanos, grupos jihadistas e movimentos classificados pela Casa Branca como extremistas de esquerda.
O documento divide as ameaças terroristas em três grandes categorias:
“narcoterroristas e gangues transnacionais”;
“terroristas islâmicos tradicionais”;
“extremistas violentos de esquerda”, incluindo anarquistas e antifascistas.
A estratégia também reforça operações contra organizações como Al-Qaeda e ISIS, amplia o combate aos cartéis nas Américas e endurece o discurso contra governos considerados patrocinadores do terrorismo, como o Iran.
Entre os pontos mais controversos do documento está a associação de movimentos políticos domésticos ao aparato federal de contraterrorismo. O texto cita diretamente organizações antifascistas, como a Antifa, e afirma que autoridades americanas irão utilizar “todos os instrumentos constitucionalmente disponíveis” para monitorar e desarticular essas redes.
A publicação gerou forte repercussão entre especialistas em segurança nacional e organizações de direitos civis. Analistas ouvidos pelo jornal britânico The Guardian classificaram a estratégia como “partidária”, “ideológica” e “autoritária”, afirmando que o texto mistura dissidência política com terrorismo doméstico.
Outro ponto que chamou atenção foi o tom político adotado no documento. A estratégia faz repetidas críticas ao governo Biden, acusa a antiga administração de “instrumentalizar” agências de inteligência e afirma que o aparato de contraterrorismo teria sido usado contra conservadores, cristãos e aliados de Trump.
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