Política Titulo Crimes digitais

Brasileiro troca medo da rua pelo digital

Levantamento revela que 83% da população teme crimes virtuais; insegurança altera rotina de 57% dos cidadãos e restringe a opinião política sob influência do crime organizado

Felipe Delmondes
Especial para o Diário
12/05/2026 | 14:03
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O medo da violência no Brasil deixou de ser apenas uma preocupação episódica para se consolidar como um clima social persistente que atinge quase a totalidade da população, com 96,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais temendo ser vítimas de pelo menos um tipo de crime. Uma pesquisa do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e do Instituto Datafolha, o "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança",  revela que a principal fonte desse receio migrou das ruas para as telas dos celulares. 

Atualmente, o maior temor nacional, apontado por 83,2% dos entrevistados, é o de cair em golpes digitais e perder dinheiro pela internet, superando o medo do roubo à mão armada (82,3%), de ser morto durante um assalto (80,7%) e de ter o celular furtado ou roubado (78,8%). Esse sentimento reflete uma realidade concreta, já que 15,8% da população, cerca de 26,3 milhões de pessoas, afirmaram ter sido vítimas efetivas desse tipo de estelionato virtual no último ano.

E dentro desse contexto de silenciamento forçado que se insere também a violência política: 59,5% das pessoas que vivem nessas áreas evitam expor suas posições partidárias. No cenário nacional, embora o medo genérico de agressão por escolha política tenha recuado de 68% em 2022 para 59,6% em 2026, ele ainda afeta cerca de 99,4 milhões de pessoas. O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre os dias 9 e 10 de março de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais.

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Essa sensação crônica de insegurança tem forçado a sociedade a alterar drasticamente sua rotina, com 57% dos brasileiros adotando novos comportamentos para tentar se proteger. As mudanças incluem desde a alteração de percursos rotineiros, adotada por 36,5% da população, até o abandono da vida noturna (35,6%) e a decisão de deixar o aparelho celular em casa por medo de assaltos (33,5%). O impacto dessas limitações, no entanto, é sentido de forma desigual na sociedade. 

As mulheres relatam maiores níveis de medo em todas as 13 situações analisadas pelo estudo, com destaque para o temor de violência sexual, que atinge 82,6% delas, contra 48,6% dos homens. A cor da pele e a classe social também definem os focos de tensão: enquanto a população negra teme mais ser vítima de uma bala perdida (80,3% contra 71,9% de pessoas brancas), as classes D e E têm no roubo à mão armada o seu maior fantasma (85,0%), diferentemente das classes A e B, cujo foco principal de apreensão são as fraudes financeiras.

Para além da violência urbana clássica e dos crimes cibernéticos, o avanço do poder paralelo aprofunda a restrição de liberdades fundamentais, ditando o que pode ou não ser dito. Quatro em cada dez brasileiros (41,2%) reconhecem a atuação de facções criminosas ou milícias nos bairros onde residem. Nesses territórios sob governança criminal, 81,0% dos moradores vivem com medo de confrontos armados e 64,4% temem sofrer represálias caso denunciem atividades ilícitas.




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