UniversalizaSP Escuta da população sobre iniciativa do Estado que vai atingir 146 municípios é vista como uma forma de “privatização disfarçada”; secretária diz que prazo é de 33 anos e não extingue autarquia
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São Caetano recebeu, nesta segunda-feira (11), a primeira audiência pública do UniversalizaSP, no Teatro Santos Dumont, no Centro, e marcou o início do ciclo de escuta da população no Estado. O programa estadual viabiliza investimentos para ampliar e melhorar o acesso ao saneamento básico em 146 cidades por meio de concessões com prazo de 33 anos. No município do Grande ABC, a empresa vencedora do leilão vai administrar a autarquia municipal Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental).
A iniciativa provocou questionamentos da população e de agentes políticos de que seria uma “privatização disfarçada”. A secretária da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), Natália Resende, explicou que o sistema de contrato da concessão de longo prazo se difere por não extinguir a autarquia nem promover a alienação das ações. O UniversalizaSP é conduzido pela Semil e SPI (Secretaria de Parceria em Investimentos). O Estado está à frente da operação que interfere nas gestões dos municípios para oferecer apoio técnico e financeiro. “Não estamos extinguindo nem privatizando nada, até porque são estruturas municipais. São licitações que nos permitem um longo prazo para poder amortizar os investimentos e trazer mais eficiência na melhoria da infraestrutura”, justificou Natália. A empresa que vai operar em São Caetano, que já atingiu a universalização do serviço, vai investir na modernização das estruturas. Entre as melhorias está a renovação de aproximadamente 300 km da rede de tubulação. O aporte previsto até 2033 pode chegar a R$ 119,1 milhões. Ao longo do período contratual, que termina em 2060, os valores devem totalizar R$ 412,6 milhões. “O subsídio do governo entra para compor o fluxo de caixa e manter a tarifa. Vamos entrar com dinheiro para proteger as pessoas com relação à tarifa, e São Caetano não precisa pegar financiamento para realizar estes investimentos. Colocamos uma regulação robusta que, para mim, é a melhor que temos no mundo. Nos baseamos no que deu certo e errado em vários países”, afirmou a secretária, que não especificou os valores dos subsídios. O coordenador do Ondas (Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento), Amauri Pollachi, avaliou que, apesar de tecnicamente ser uma concessão, na prática trata-se de uma privatização da gestão da prestação de serviços no município. “Creio que se trata de eufemismo, de querer fugir da palavra que é vista pela população como sinônimo de deterioração da qualidade e de aumento das tarifas. Com a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) falaram que se tratava de uma desestatização, mas foi uma privatização. É um monopólio do total do Estado operando os serviços de saneamento dos municípios, algo preocupante, pois já temos uma fiscalização bastante frágil dos órgãos regulatórios”, alegou o especialista, que atuou na Sabesp por 31 anos. A próxima audiência pública será realizada nesta terça-feira (12), às 10h, em Americana. As demais reuniões serão neste mês, em São Carlos (25) e em Junqueirópolis (26). A última acontece de forma virtual no dia 27. No segundo semestre, estão previstas a publicação do edital e o leilão. As obras devem iniciar em 2027, de acordo com planejamento inicial publicado nos estudos disponíveis para consulta pública no site da SPI.
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