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FOTO: DGABC

A forma como uma pessoa se comunica pode gerar resultados positivos ou criar obstáculos dentro de empresas e equipes. O tema ganha ainda mais peso em posições de liderança. Segundo pesquisa da Amcham (Câmara Americana de Comércio), a comunicação assertiva é a soft skill (habilidade comportamental) mais valorizada para os líderes do futuro, citada por 58% dos CEOs e gestores ouvidos. Não basta dominar técnicas de comunicação, mas é essencial compreender o contexto que dá significado às palavras e molda as relações.
Um simples emoji pode gerar diferentes interpretações e até problemas de comunicação. Há muitas dúvidas sobre palavras, mensagens, e grande parte delas gira em torno do pode ou não pode. Outro ponto recorrente é a busca pela fórmula do sucesso para se comunicar. Ainda existe quem enxergue a comunicação como um evento isolado, visão considerada limitada diante da realidade das interações humanas.
Cada situação comunicativa envolve um antes, um durante e um depois, e os efeitos não se encerram, por exemplo, no fim de uma reunião, já que conversas seguem reverberando por e-mails ou em novos encontros. A comunicação é multidimensional e não envolve apenas o indivíduo, mas também fatores socioculturais, pois temas antes considerados tabus hoje estão em pauta.
O contexto é composto por camadas sutis, porém perceptíveis, que podem encorajar ou inibir a fala. Basta a presença de uma pessoa na reunião para gerar mais confiança ou desestruturar participantes e, em alguns casos, silenciar um grupo inteiro a depender de quem chega ao ambiente.
Ao iluminar esse contexto, emergem silêncios, acordos, rituais, relações, linguagens, canais, pessoas que precisam falar e ser ouvidas, além de estruturas e padrões de poder, exclusão e respeito ou desrespeito. Comunicação eficiente não significa ausência de perguntas, mas abertura genuína para divergências e negociações, elementos essenciais de qualquer construção coletiva.
A seguir, destaco quatro pontos que podem orientar uma comunicação clara:
Comunicação não é ato pontual, mas continua antes e depois da fala;
Não existe técnica que substitui a leitura do contexto;
Divergência não é falha, mas sinal de participação e construção conjunta;
Atenção a sinais como silêncios, padrões, presenças e ausências, pois eles também comunicam.
Vivian Rio Stella é doutora em Linguística pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pós-doutora pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica).
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