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A essência do reggae é lutar pelos direitos, afirma banda regional

Com origem na Jamaica, gênero musical une resistência, críticas sociais e espiritualidade; nesta segunda-feira é celebrado o Dia Nacional do estilo

11/05/2026 | 09:11
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FOTO: Cibelle Risan/Divulgação
FOTO: Cibelle Risan/Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O reggae é considerado muito mais do que um estilo musical. O estilo surgiu por volta de 1960, na Jamaica, e chegou ao Brasil nas décadas seguintes. Esse movimento cultural traz como mensagem a paz, a luta por direitos sociais e a conexão com o espiritual.

Nesta segunda-feira (11), é celebrado o Dia Nacional do Reggae, em alusão à data da morte do rei do gênero, Bob Marley, responsável por popularizá-lo para o mundo. 

Há 28 anos, a banda Guerreiros de Judá, radicada no Grande ABC, cultiva resistência por meio das letras das músicas. O baterista e fundador do grupo, Alex Silva, 48 anos, afirmou que o reggae se apoia em três pilares. 

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“São eles: espiritualidade, causas sociais e questões políticas. O reggae surgiu como uma forma de conscientizar as pessoas e de lutar por direitos básicos, como saúde e alimentação, além de apoiar quem mais precisa. Nesse sentido, o reggae é para crianças, adultos, famílias sem estrutura e todos que buscam a paz”, explicou.

Em muitas canções gravadas mundo afora, o estilo traz versos contra regimes totalitários e luta contra discriminação racial, como a obra War de Bob Marley. Para o vocalista, Edson Fortunatti, 43, o estilo representa um caminho de conexão espiritual, troca de energia e motivação.

Segundo o grupo, o Grande ABC foi um dos polos do reggae no Estado. “O cenário aqui surgiu por volta de 1995 com três bandas. Naquela época, a presença do estilo musical era muito forte, tinha bastante espaço. No Rudge Ramos, em São Bernardo, havia uma casa de música, e em Santo André e Diadema também”, lembrou Silva.

“A região fortaleceu o movimento e foi uma referência. Podemos falar que o reggae pulsava aqui no Grande ABC”, complementou o vocalista Fortunatti. O grupo é composto também pelo baixista, Renan Alarcon, o tecladista, Nimbus Ribeiro, e o guitarrista, Felipe Sampaio.

ESTEREÓTIPO

Historicamente, no Brasil, o reggae acabou sendo associado de maneira simplista ao uso da maconha. Para a banda Guerreiros de Judá, esse estereótipo prejudica a evolução do gênero e a compreensão de seu verdadeiro significado, conforme destaca Fortunatti.

Na Jamaica, o uso da Cannabis sativa está ligado ao contexto da religião rastafari, sem ser utilizada de forma recreativa, mas sim como sacramento religioso. Posteriormente, o lado fiel acabou se misturando ao movimento do reggae.

“Lá é legalizado, utilizado como ritual, ou seja, não fumam por fumar. A religião rastafari começou a ter representantes específicos dentro da música reggae, e lá os artistas a utilizavam. No Brasil, algumas pessoas trouxeram o fundamento distorcido, com a premissa de ficar ‘doidão’”, comentou Silva.

“A associação não é correta, e isso é uma dor para nós. Bob Marley, por exemplo, fazia uso, mas o reggae era o seu trabalho e não tinha relação direta com isso, já que estava ligado à prática de uma religião. Aqui, a sociedade acaba condenando o gênero, associando-o à propagação de drogas. Por isso, muitos lugares deixam de aproveitar oportunidades”, concluiu o vocalista.

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