Leitura Prefeituras contestam parâmetros e indicam outras formas de aprendizado, como espaços de leitura e acesso às obras nas salas de aula
FOTO: Denis Maciel/DGABC

Vinte e nove por cento das escolas municipais do Grande ABC possuem bibliotecas. Os dados são do Censo Escolar 2025, do Portal QEdu do Iede (Interdisciplinaridades e Evidências no Debate Educacional), que mostra a infraestrutura das unidades de ensino de todo o Brasil. Para essa modalidade, a plataforma utilizou os critérios do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), que considera como critérios a existência de acervo de livros e de profissional especializado.
Mesmo com esse índice, o levantamento apontou que a região está acima do percentual nacional, que é de 24% das escolas municipais com bibliotecas e também superior ao registrado no Estado, de 16%.
São Bernardo liderou o número, com 84% das escolas com bibliotecas, bem à frente de Diadema e Santo André, com 42% e 31%, respectivamente. Na sequência aparecem Mauá (18%), Ribeirão Pires (16%) e São Caetano (15%). O cenário mais crítico é em Rio Grande da Serra, sem nenhuma unidade com biblioteca.
As prefeituras do Grande ABC contestaram os índices apresentados pelo censo. Segundo as administrações, alguns conceitos sobre o local podem estar defasados, já que as cidades oferecem outras formas de aprendizado por meio do acesso à literatura.
Para a Prefeitura de São Caetano, por exemplo, o índice decorre de uma limitação na categorização estrutural, que estabelece uma diferenciação rígida na tipificação clássica. “Atualmente, 100% das escolas de ensino fundamental e médio possuem sala ou espaço de leitura, infraestrutura adequada para essas etapas, visto que os estudantes já possuem autonomia leitora para utilizar esses ambientes. Na educação infantil, o planejamento não prevê espaços apartados, pois a prática de leitura é vivenciada diariamente na própria sala de aula”, destacou o Paço.
O esclarecimento também converge com o da Prefeitura de Santo André, que confirmou que nem todas as unidades possuem bibliotecas, mas contam com espaços de leitura disponíveis para os alunos. “A legislação brasileira estabelece a necessidade de universalização das bibliotecas escolares, não apenas como um espaço físico específico, mas como a garantia de acervo bibliográfico adequado. Assim, a rede tem priorizado o acesso ao livro e à leitura de forma descentralizada e integrada ao cotidiano escolar, mesmo em unidades com limitações de espaço físico.”
Outro ponto levantado foi a prática da leitura nos primeiros anos de vida. Diadema afirmou que o número de unidades sem bibliotecas (cerca de 58%) é referente a creches. “Entendemos que não faz sentido ter bibliotecas estruturadas devido à idade dos alunos, por isso nessas unidades há farta oferta de livros adequados a essa faixa etária para serem livremente manuseados.”
Para o diretor-executivo do Iede, Ernesto Martins, a presença de bibliotecários não é garantida em todas as escolas do Brasil, devido a fatores demográficos. Ainda segundo ele, o espaço adequado continua sendo importante para o desenvolvimento dos alunos.
“Há uma correlação importante entre escolas que conseguem garantir condições adequadas, como a presença de sala de leitura ou biblioteca. As unidades que não contam com vários dos itens considerados importantes são aquelas que enfrentam um desafio maior para gerar estímulos”, complementou.
São Bernardo, por exemplo, informou que há uma prática consolidada na rede municipal com a disponibilização de acervos de livros em todas as salas de aula. Além disso, a administração ressaltou que os cantinhos de leitura estão presentes em escolas que não dispõem de espaço físico específico, mas que organizam ambientes de leitura nas aulas ou áreas externas.
Já o Rio Grande indicou que as escolas são abastecidas pela Biblioteca Monteiro Lobato e as unidades têm cantinhos de leitura.
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