Assoreamento Especialista afirma que entulho afeta o curso das águas do Ribeirão dos Meninos significativamente
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O descarte de entulho e de outros materiais provenientes das obras do BRT-ABC – realizadas pela Next Mobilidade – no Ribeirão dos Meninos, reduz significativamente a capacidade de armazenamento do córrego, aumentando risco de alagamentos na região. A avaliação é da professora titular da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Ângela Marcondes, referência em meio ambiente no Grande ABC. Ainda segundo a especialista, em períodos de chuvas intensas, os resíduos podem ser carregados para o Rio Tamanduateí e, posteriormente, ao Rio Tietê.
As obras do BRT-ABC abrangem Santo André, São Bernardo e São Caetano. As três cidades, juntamente com a Capital, foram beneficiadas com a entrega do Piscinão Jaboticabal, em dezembro. O reservatório, no entanto, também pode ser prejudicado pelo descarte irregular de entulho e pelo consequente assoreamento do córrego.
“O Ribeirão dos Meninos já sofre com a canalização, a retificação e a falta de vegetação de mata ciliar, além de receber esgoto sem tratamento dos municípios e de seus afluentes, como o Ribeirão dos Couros. Esses sedimentos despejados em grande quantidade pelas obras – concreto, areia, ferro, entre outros – acabam se depositando nas margens e no leito do córrego. Isso diminui a capacidade de armazenamento e provoca o que chamamos tecnicamente de assoreamento. Quando ocorrerem grandes chuvas, esse material pode ser transportado para o Rio Tamanduateí, dificultando ainda mais as ações de contenção de enchentes na região. Outro problema é que esses resíduos também podem chegar ao Piscinão Jaboticabal, reduzindo ainda mais sua vida útil.”
Marta destaca que os materiais descartados vão afetar significativamente o curso das águas do Ribeirão dos Meninos, facilitando o transbordamento na ocorrência de chuvas. “Quando você pega uma mangueira e aperta a saída, a água passa com mais velocidade e intensidade, buscando espaço para seguir seu caminho. No caso do Ribeirão dos Meninos, acontece algo semelhante: a água que percorre o leito do rio tende a ganhar mais velocidade. Com isso, alcança outras áreas e carrega todo esse material descartado irregularmente. Esses resíduos podem ser levados, como já disse, para o Tamanduateí e, posteriormente, para o Rio Tietê, agravando ainda mais o processo de assoreamento”, explica.
Marta Marcondes também defende maior rigor na fiscalização das obras e cobra medidas efetivas para reduzir os impactos ambientais provocados pela intervenção no Ribeirão dos Meninos. Segundo a especialista, é necessário monitoramento constante para evitar o descarte irregular de entulho e garantir que a empresa responsável execute ações de mi-tigação ambiental previstas no licenciamento da obra.
“A empresa responsável pela construção do BRT tem de assumir a responsabilidade pelos impactos que está causando. Uma obra desse porte precisou de licença de implantação. Então, é preciso questionar onde estão os projetos de mitigação ou de compensação ambiental por todo esse dano. Mitigar significa justamente resolver o problema que foi criado”, afirma.
Em nota na última semana, a Next Mobilidade afirmou que realizou serviços de desassoreamento no Ribeirão dos Meninos, a pedido da SP Águas, para viabilizar as obras da ponte Jaboticabal e estruturas de contenção do BRT-ABC, garantindo que a intervenção é temporária e sem prejuízo ao fluxo do córrego. A concessionária também informou que fará a limpeza completa das margens ao fim das obras e que a intervenção possui autorização de órgãos como Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) e SP Águas.
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