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Onde foi que nós erramos?

Rodolfo Donetti
08/05/2026 | 08:45
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Como policial desde 2003 e vereador dedicado à causa pública, minha rotina é pautada pelo combate incessante ao crime e pela defesa intransigente da ordem. No entanto, o recente episódio ocorrido na Zona Leste de São Paulo ultrapassou qualquer limite de tolerância humana e profissional. O estupro coletivo de duas crianças, de apenas 7 e 10 anos, que foram covardemente atraídas pela falsa inocência de uma pipa, é o retrato doloroso de uma sociedade que parece estar perdendo a guerra para a barbárie mais crua.

O mentor desse crime hediondo, um indivíduo de 21 anos, foi preso no interior da Bahia após uma fuga covarde que mobilizou forças de segurança. Entretanto, a sua prisão em regime comum não apaga a pergunta que ecoa na alma de cada cidadão de bem: até quando o Estado brasileiro será condescendente com predadores dessa linhagem? Não podemos mais aceitar que crimes dessa natureza, que destroem para sempre a psique de uma criança, sejam tratados com medidas paliativas ou progressões de pena injustificáveis. Em casos de abuso infantil com provas cabais e irrefutáveis, a castração química deve ser discutida e implementada como uma medida de segurança pública inegociável. Quem viola a pureza de uma criança e aniquila o futuro de uma família inteira não pode, sob hipótese alguma, manter o direito biológico de repetir tal atrocidade. Esta é uma questão de proteção social de urgência máxima, e não um campo para debates ideológicos estéreis que ignoram a dor das vítimas.

Ao mesmo tempo, a participação direta de três adolescentes nesse crime bárbaro nos obriga a enfrentar, sem demagogia, a hipocrisia em torno da nossa maioridade penal. Se um jovem possui discernimento e habilidade para articular uma emboscada, executar um abuso coletivo e gerenciar a divulgação digital dessa barbárie, ele é plenamente capaz de responder pelos seus atos nos moldes do Código Penal, e não apenas sob as medidas socioeducativas brandas do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que muitas vezes servem apenas como uma breve pausa na carreira criminosa. Se o crime cometido é bárbaro e planejado, a resposta estatal deve ser igualmente severa e proporcional, independentemente da data de nascimento estampada no RG do agressor.

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Como profissional da segurança, oriento a todas as famílias que intensifiquem, agora mais do que nunca, a vigilância sobre as companhias, os trajetos e, principalmente, o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens de seus filhos. A denúncia imediata via 190 ou pelo Disque 100 continua sendo a nossa maior arma. Precisamos de reformas legislativas profundas que façam, finalmente, o medo mudar de lado neste País. Enquanto a justiça brasileira não endurecer as penas e fechar as brechas que beneficiam criminosos e menores infratores, continuaremos enxugando gelo diante do intolerável. Justiça de verdade não é aquela que se perde em recursos intermináveis; é aquela que pune o agressor com o rigor necessário e protege, de fato e com prioridade absoluta, a integridade da vítima.

Rodolfo Donetti é policial militar e vereador de Santo André pelo Cidadania.




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