Política Titulo Dono do Banco Master

Ciro Nogueira recebia de Daniel Vorcaro mesada de R$ 300 mil, aponta PF

Segundo a investigação, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil"

07/05/2026 | 09:52
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FOTO: Jefferson Rudy/Agência Senado e Divulgação/Banco Master
FOTO: Jefferson Rudy/Agência Senado e Divulgação/Banco Master Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A PF (Polícia Federal) aponta que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebeu propinas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do banqueiro no Congresso Nacional. O senador e presidente nacional do PP foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira, 7, na quinta fase da Operação Compliance Zero.

A defesa de Ciro Nogueira afirmou que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar". Leia a íntegra abaixo.

A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, que autorizou as diligências com base em provas reunidas pela PF, afirma que o senador recebia uma mesada de R$ 300 mil de Vorcaro. Segundo a investigação, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".

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Os investigadores também apontam que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo. Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.

Outro ponto apurado pela PF envolve a aquisição, por Ciro Nogueira, de participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, operação que, segundo os investigadores, teria sido viabilizada por Vorcaro.

Segundo as investigações, o negócio, com subvalorização das ações adquiridas, envolvia a venda de 30% da empresa Green, que teria participação na empresa Trinity, para a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., formalmente administrada pelo irmão do parlamentar, Raimundo Nogueira - também alvo de mandado de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.

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"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", diz a PF.

Como revelou o Estadão, a PF encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.

A Polícia Federal também localizou mensagens em que o banqueiro se refere ao senador como um "grande amigo de vida" e comemora uma iniciativa legislativa apresentada por Ciro Nogueira que beneficiaria o Banco Master.

A mensagem foi enviada em 13 de agosto de 2024, mesma data em que o senador apresentou emenda à proposta de autonomia financeira do Banco Central para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF. Vorcaro descreveu a medida como uma "bomba atômica no mercado financeiro".

Defesa se manifesta

"A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.

Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos.

Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas."




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