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Câmara de Santo André cria comissão para discutir áreas onde passam gasodutos

Grupo, presidido pelo vereador Tiago Nogueira, terá 90 dias para buscar informações junto à Transpetro e órgãos competentes

Felipe Delmondes
Especial para o Diário
06/05/2026 | 17:27
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A Câmara de Santo André aprovou, em 28 de abril, a criação de uma Comissão de Assuntos Relevantes para discutir a utilização de áreas do município sob as quais passam gasodutos. A medida foi oficializada por meio de resolução, promulgada após aprovação em plenário.

De acordo com o texto, publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (6), o objetivo da comissão é buscar, junto à Transpetro e a outros órgãos públicos e privados, soluções para o uso adequado desses espaços. O grupo  terá como presidente o vereador Tiago Nogueira (PT). Os outros quatro membros são: Fábio Lopes (Cidadania), Nino Brandão (Avante), Vavá (PSD) e Toninho Caiçara (Podemos).

A resolução estabelece prazo inicial de 90 dias para a conclusão dos trabalhos, com possibilidade de prorrogação conforme o Regimento Interno. Segundo o presidente da comissão, apesar das limitações existentes, há hoje maior abertura para utilização dessas áreas. “Não pode ter edificações onde passam os dutos, mas existem áreas onde é possível implementar projetos de pequeno porte”, afirmou.

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O parlamentar destacou que há uma série de possibilidades de uso, como hortas comunitárias, parques lineares, academias ao ar livre e até estacionamentos ou zonas de rotatividade. “São espaços que podem atender desde lazer e saúde até apoio ao comércio local”, completa o petista.

Nogueira também apontou problemas recorrentes nessas áreas, como descarte irregular de lixo, mato alto e ocupações irregulares, que podem gerar riscos. “Há situações em que moradores acabam ocupando esses espaços e isso pode trazer perigo, inclusive com risco de incêndio ou intervenções indevidas nos dutos”, explicou.

De acordo com o petista, a comissão pretende mapear todas as áreas na cidade e identificar o que já é utilizado e o que pode ser implantado. O objetivo seria dar um uso social melhor para esses espaços, buscando recursos junto à própria Transpetro, ao município e a outras esferas.

O vereador também citou experiências já existentes na região. Em Santo André, uma horta comunitária foi recentemente implantada. Já em cidades vizinhas, há iniciativas como cultivo fitoterápico em São Bernardo e propostas de parques lineares na capital paulista.

Além disso, Nogueira defendeu projetos mais amplos para essas áreas. “Podemos pensar em geração de emprego e renda, produção de alimentos e espaços de convivência. Falta organização, chamamento e parcerias para tirar esses projetos do papel”, disse.

Integrante da comissão, o vereador Fábio Lopes (Cidadania) afirmou que o município já possui um mapeamento completo dessas áreas, por meio de georreferenciamento. Ele explica que há restrições para construções em determinados trechos, mas que a própria Transpetro autoriza alguns tipos de uso.

“O objetivo da comissão é dialogar com a Transpetro para viabilizar a utilização desses espaços, além de melhorar a rotina de limpeza e manutenção”, afirmou. Lopes destacou ainda que, embora muitas dessas áreas sejam propriedades particulares, a intenção do grupo é buscar alternativas que permitam transformar os locais em espaços úteis para a população.

“Há a intenção de, sempre que possível, destinar essas áreas para lazer ou mobilidade urbana”, completou o parlamentar.

A Câmara afirmou, por meio de nota, que a criação da Comissão de Assuntos Relevantes foi um passo fundamental desta gestão para encararmos de frente um desafio histórico de Santo André. 

"Como o prazo regimental é de 90 dias, o detalhamento sobre riscos específicos e limitações técnicas dependerá do relatório final que está sendo construído por este grupo de trabalho. Nossa diretriz na Presidência é clara: com segurança não se brinca. Respeitar as limitações técnicas e legais dessas áreas não é apenas uma obrigação burocrática, é o nosso papel na proteção da vida de cada andreense que reside ou transita perto dessas faixas. Não tomaremos qualquer decisão sem o embasamento técnico necessário que garanta risco zero à população", informou a assessoria da Casa. 

Ainda de acordo com a nota, há entendimento esses espaços subutilizados acabam se tornando problemas urbanos, como focos de descarte de lixo e insegurança. "No entanto, a visão desta Casa é transformar esse cenário em oportunidade. Queremos humanizar esses espaços e devolvê-los à cidade, buscando alternativas viáveis como áreas de lazer ou hortas comunitárias, integrando essas áreas à dinâmica dos bairros de forma segura e responsável. Assim que o relatório técnico for formalizado pela Comissão, daremos total publicidade às conclusões e ao plano de ação para Santo André.” 

O vereador William Lago (PL) afirmou que perto de sua residência há um terreno por onde passam dutos que está subutilizado. "Tem um agravante também. A área fica na divisa de municípios.Então, fica difícil saber quem é o pai da criança. A experiência que tenho é que nunca se conseguiu fazer nada naquele locall", pontuou o liberal.

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