Descoberta Vestígios genéticos da espécie foram encontrados após mais de 25 anos sem registros na região
FOTO: Unsplash

Pesquisadores da Universidade de Curtin, na Austrália, identificaram vestígios de uma lula gigante nas águas profundas da costa da parte ocidental do país, em um achado considerado raro por cientistas. O registro não foi feito por avistamento direto, mas por meio de análise de DNA ambiental coletado no oceano.
A descoberta ocorreu na região de Nyinggulu (Ningaloo), durante um estudo em cânions submarinos liderados pela Drª. Georgia Nester, como parte da pesquisa para seu PhD. Os cientistas utilizaram a técnica conhecida como eDNA (DNA ambiental) , que permite identificar espécies a partir de fragmentos genéticos deixados na água por organismos marinhos. O material revelou a presença da espécie Architeuthis dux, um dos animais mais enigmáticos dos oceanos e raramente observado em seu habitat natural.
A descoberta ocorreu em dois cânions submarinos profundos: Cape Range e Cloates Canyon. A região fica a cerca de 1.200 km ao norte de Perth e atinge profundidades superiores a 4.500 metros, sendo considerada uma das áreas menos exploradas do oceano.
Segundo a Chefe de Zoologia Aquática e Curadora de Moluscos no Museu da Austrália Ocidental, Drª Dr. Lisa Kirkendale, este é o primeiro registro da lula gigante na costa da Austrália Ocidental em mais de 25 anos. Além disso, trata-se do ponto mais ao norte já identificado para a espécie no Oceano Índico oriental. Antes disso, havia apenas dois registros conhecidos na região, mas nenhum recente.
Apesar da repercussão nas redes sociais, os cientistas não chegaram a filmar ou capturar o animal. O que foi identificado foram traços genéticos deixados na água, indicando que a espécie esteve presente na área em algum momento recente. A técnica permite detectar espécies raras ou de difícil observação, especialmente em ambientes extremos, onde o uso de câmeras ou redes é limitado.
A lula gigante pode ultrapassar 10 metros de comprimento e possui os maiores olhos do reino animal, podendo chegar a cerca de 30 centímetros de diâmetro. Ela habita regiões profundas dos oceanos e raramente é vista viva, sendo conhecida principalmente por restos encontrados ou registros ocasionais.
O estudo revelou um panorama mais amplo da biodiversidade local. Ao todo, foram identificadas mais de 200 espécies marinhas, incluindo animais raros e até organismos que podem ser desconhecidos pela ciência. Para os pesquisadores, o achado reforça o quanto os ecossistemas de águas profundas ainda são pouco explorados e compreendidos.
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