Litoral Ação realizada pela Fundação Florestal promoveu cerimônia civil gratuita para oito casais com o objetivo promover inclusão social
FOTO: Divulgação

O Parque Estadual da Ilha Anchieta, em Ubatuba, Litoral Norte de São Paulo, virou cenário para um casamento comunitário no último fim de semana. No total, oito casais que tinham o sonho de se casar na praia foram contemplados pela iniciativa, gratuita, promovida pela Fundação Florestal, vinculada à Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo).
De acordo com o órgão, a ideia é que a cerimônia civil se concretize e aconteça anualmente. A primeira ação do gênero no local, no entanto, aconteceu por meio de um chamamento público aberto em março. Havia, a princípio, a exigência de que os participantes residissem em Ubatuba ou municípios vizinhos, e comprovassem situação de vulnerabilidade socioeconômica. Os critérios estabelecidos no edital incluíam comprovação de renda e documentação dos interessados.
Em síntese, a ação integra um edital inédito de chamamento público voltado à promoção de iniciativas socioambientais e ao incentivo ao uso sustentável das unidades de conservação. Na prática, o projeto amplia o acesso a direitos civis e oferece a famílias de baixa renda a oportunidade de vivenciar uma cerimônia estruturada. Algo, a princípio, muitas vezes inacessível.
Apoio total
A celebração contou com estrutura completa para os casais e convidados (até 20 por casal). As noivas se prepararam na chamada "Casa de Vidro", uma das estruturas mais recentes da unidade. Ademais, o evento contou com cerimonialista, produção e apoio logístico da equipe da Fundação Florestal e da Green Haven Ilha Anchieta. Essa última é, portanto, a empresa responsável pela operação dos serviços de uso público na unidade após processo licitatório.
"Eventos como esse ajudam a ressignificar a história da Ilha, transformando o espaço em um lugar de encontros e histórias. Além disso, têm um impacto positivo na população local, ao gerar oportunidades para prestadores de serviço e fortalecer o vínculo da comunidade com o Parque", sintetiza Elen Eugênio, assistente administrativa da Green Haven Ilha Anchieta. Para ela, iniciativas como essa ampliam o papel da unidade para além do turismo tradicional.
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O modelo adotado pela Fundação Florestal prevê parceria com a iniciativa privada para qualificar a experiência do visitante, mantendo a gestão pública da unidade e exigindo contrapartidas que gerem benefícios sociais e ambientais. "A ideia é trazer a comunidade para dentro desse espaço", pontua Márcio Santos, gerente da Fundação Florestal.
A Ilha Anchieta
Marcado, até 1955, pelo funcionamento de um presídio, o local, hoje, ressignifica sua história ao se tornar um espaço de convivência, lazer e conexão com a natureza. Reconhecida pela biodiversidade e pelas águas cristalinas, a Ilha Anchieta vem se consolidando como destino de ecoturismo. O local, nesse ínterim, integra conservação ambiental e novas formas de uso público. A experiência de visitação inclui ainda a possibilidade de hospedagem em edificações históricas adaptadas, valorizando o patrimônio existente.
"A Ilha Anchieta simboliza essa transformação, não só pelo cenário, mas pelas ações contínuas de reflorestamento, monitoramento e preservação que permitiram essa mudança. É a passagem de um território marcado pelo cárcere para um espaço de vida e experiências", destaca Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal.
Por fim, a realização do casamento comunitário na Ilha Anchieta mostra um dos inúmeros potenciais das Unidades de Conservação como espaços multifuncionais, capazes de aliar preservação ambiental, educação e transformação social.
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