Crime contra a mulher No mesmo período de 2025, foram nove ocorrências; violência mais recente aconteceu no sábado e deixou a vítima em estado grave
FOTO: Imagem ilustrativa

O Grande ABC registrou alta de 22% nas tentativas de feminicídio. No primeiro trimestre de 2026, foram contabilizados 11 casos contra nove no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado).
O crime mais recente, ainda não contabilizado nas estatísticas, aconteceu sábado (2) em São Bernardo. Gabriella Vitória Souza Mendes, 19 anos, foi agredida pelo companheiro Jean Santos Silva, 23, às 7h35, em uma residência na Rua Maria Adelaide Lima Quelhas, no Centro. O agressor desferiu socos e bateu na cabeça da vítima contra uma pedra de mármore, de acordo com apuração do Diário.
O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado e encontrou a mulher inconsciente com quadro de convulsão. O autor do crime, que estava com o filho de seis meses no colo, se entregou à polícia. O caso foi registrado no 1º DP (Distrito Policial) do município.
Gabriella foi encaminhada ao HU (Hospital de Urgência) e segue internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), onde passa por cuidados neurológicos. De acordo com a Secretaria de Saúde de São Bernardo, a vítima está em estado grave.
Mais da metade (54,5%) das tentativas de feminicídio da região neste ano ocorreram em Mauá (6). Em 2025, foram cinco. A secretária municipal da Mulher, Cida Maia, disse que os dados são graves e exigem atenção permanente. “Cada tentativa de feminicídio é um sinal de que a violência chegou ao seu nível mais extremo, e isso não pode ser naturalizado”, ressaltou.
A gestora destacou algumas iniciativas estruturadas no município para prevenir ocorrências. “Ampliamos as ações nos territórios e estamos levando informação às mulheres sobre seus direitos e os serviços disponíveis. Na proteção, fortalecemos o acesso às medidas protetivas, que já saem com orientação direta para que as mulheres busquem a rede de atendimento”, explicou.
Cida informou ainda que, em casos mais graves, é realizado acolhimento em casa abrigo. Neste ano, cinco mulheres já foram protegidas e, neste momento, duas permanecem acolhidas.
A SSP disse que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo estadual, que tem reforçado a rede de proteção com a ampliação dos canais de denúncia, além da prevenção e responsabilização dos agressores. No Grande ABC, são cinco DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher), nas cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá.
“A população também conta com ferramentas como o aplicativo SP Mulher Segura, com registro on-line 24 horas da ocorrência e botão do pânico para mulheres com medida protetiva, além da ampliação do monitoramento eletrônico de agressores e de um plano estruturado de enfrentamento à violência. No campo operacional, mais de 2.000 homens foram presos nos últimos três meses por crimes contra mulheres, sendo que, em metade dos casos de feminicídio no período, os autores foram detidos em flagrante”, afirmou a Pasta.
São Bernardo lidera ocorrências consumadas em 2026
Com os feminicídios registrados no primeiro trimestre, mais um caso em abril e o deste mês, São Bernardo lidera o ranking da região, sendo cinco mortes do total de sete. O último ocorreu na sexta-feira (1º), no bairro Cooperativa.
O caminhoneiro Sidnei Rosa Lopes, 52 anos, matou a mulher, Atais de Souza Lopes, 39, com um tiro na cabeça e fugiu. O crime ocorreu na presença de uma das filhas da vítima, de 21 anos. A mulher deixa mais dois filhos. Segundo relatos, o suspeito estava com ciúmes excessivo após a vítima começar a trabalhar depois anos cuidando da família.
A secretária da Mulher de São Bernardo, Sandra do Leite, disse que os casos vêm crescendo e a situação está sendo discutida para que mais políticas públicas sejam criadas. “Eu e o prefeito Marcelo Lima (Podemos) nos reunimos e conversamos sobre ações de prevenção. O objetivo é conscientizar a mulher antes dela entrar no ciclo de violência”, afirmou a gestora.
Sandra explicou que, entre as iniciativas, estão ações que possam garantir independência financeira às mulheres. “Queremos atingi-las desde a adolescência para prepará-las para o emprego. Incentivar o empreendedorismo para as mulheres com mais de 50 anos porque, muitas vezes, essa mulher deixa de trabalhar para cuidar dos filhos e fica vulnerável por não ter uma profissão”, ressaltou.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.