Do chão ao pódio Alex de Souza Luz, o ‘Lekão’, inspira milhões de pessoas em suas redes socias e converte quedas e preconceito em força
FOTO: Nario Barbosa/DGABC

Antes dos aplausos e dos troféus, a história de Alex de Souza Luz, o famoso ‘Lekão’, 29 anos, começou com silêncio, incerteza e um diagnóstico difícil. Natural de Jequié, no interior da Bahia, ele sofreu com falta de oxigênio no parto e passou duas semanas internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Até os 2 anos de idade, sem acompanhamento médico adequado, a família ainda não sabia o que enfrentava.
Já em Diadema, a mudança veio por meio de uma tia, que percebeu toda a situação e acolheu o garoto. Foi então que veio o diagnóstico de paralisia cerebral, e o início de longa jornada de fisioterapias, terapia ocupacional, fonoaudiologia e acompanhamento neurológico, com mudanças lentas, mas nunca inexistentes. “Eu fui começar a andar com 8 anos”, comenta.
Contra uma recomendação de colocá-lo em uma cadeira de rodas, Rosilda Jesus de Souza, mãe do atleta, escolheu outro caminho. Levou o filho nos braços até onde conseguiu. Quando já não deu mais, tomou uma decisão importante. “Ela me colocou no chão e começou a andar comigo de mão dada. Até os 14 anos, eu caía e me machucava muito, mas continuei”, relembra Lekão.
Na adolescência, começou a praticar capoeira, encontrando uma forma de desenvolver coordenação e equilíbrio. Em cada atividade praticada, ele descobriu que era capaz de evoluir. “Cada esforço que eu fazia, via resultado. Isso me motivava a continuar”, comenta.
Após concluir o Ensino Médio, Alex tentou caminhos fora do esporte. Estudou design gráfico por conta própria e fez pequenos trabalhos. Mantinha rotina simples, que incluía caminhadas e aulas de natação.
Mas foi aos 19 anos, por influência de seu irmão, que encontrou a musculação, algo que mudaria sua vida para sempre. O início, porém, não foi fácil. E muito menos acolhedor. “Falavam que não era pra mim, que eu ia cair, que ia me machucar dentro da academia. No começo eu ficava triste. Mas no outro dia eu estava lá de novo, treinando quietinho”, disse ele, que na época pesava 60kg.
Ao longo dos treinos, o corpo respondeu. Vieram ganhos de força, mais controle dos movimentos e, principalmente, uma transformação interna. “A musculação me deu autoestima, confiança e tirou minha vergonha. Hoje, consigo viver minha vida normalmente.”
O esportista estava em busca de voos maiores e decidiu competir no fisiculturismo. O incentivo veio após conhecer o fisiculturista Julio Balestrin, que enxergou nele um grande potencial. A estreia nos palcos aconteceu em novembro de 2021, pela II Batalha de Valkírias e Bárbaros, evento organizado pela SPFC (São Paulo Fisiculturismo e Fitness), quando ficou entre os primeiros colocados. “Quando eu subi lá e vi todo mundo vibrando, senti uma emoção que nunca tinha vivido. Era um arrepio bom, de realização”, revela ele, que posteriormente disputou mais oito campeonatos.
Com mais de 2 milhões de seguidores em suas redes sociais, ele passou a compartilhar diariamente sua rotina e espalhar sua mensagem. Para Lekão, que mora atualmente na Vila Nogueira, no município diademense, o verdadeiro propósito está no impacto que causa na vida de muitas pessoas. “Motivar alguém não tem preço. O bem que eu quero pra mim, eu quero para os outros.”
Mesmo diante de comentários negativos, ele mantém postura firme. Hoje, o que antes machucava, já não tem o mesmo peso. “Se a pessoa fala mal de mim, ela está falando dela, não de mim. Eu sei quem eu sou.”
É com a mesma força que Souza deixa um recado para quem ainda tem receio de começar. “Não tenha medo. Tente, caia, levante e continue. Quando você melhora um pouquinho, usa isso como motivação para ir mais longe.”
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.