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A hipertensão arterial segue sendo uma das doenças mais comuns e perigosas do Brasil. Silenciosa, muitas vezes sem sintomas, ela avança especialmente entre as mulheres, tornando-se um dos principais desafios de saúde pública no País. A hipertensão arterial sistêmica atinge hoje cerca de 28% a 30% da população adulta brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde e do sistema Vigitel. Mais preocupante ainda: a prevalência é maior entre mulheres, chegando a aproximadamente 29,3%, contra 26,4% nos homens. Esse cenário reflete mudanças no estilo de vida, envelhecimento populacional e desigualdades no acesso à saúde.
Mesmo sendo frequente, a hipertensão ainda é subdiagnosticada. Estima-se que até 50% das pessoas com pressão alta não saibam que têm a doença. E há outro dado alarmante: apenas cerca de 30% dos brasileiros hipertensos mantêm a pressão adequadamente controlada e nas mulheres, isso pode ser ainda mais crítico, pois muitas vezes os sintomas cardiovasculares são atípicos ou subvalorizados.
Existem importantes particularidades femininas que aumentam o risco: gravidez, condições como pré-eclâmpsia aumentam o risco futuro de hipertensão; menopausa, a queda do estrogênio favorece o aumento da pressão; fatores sociais, mulheres frequentemente priorizam o cuidado com a família e retardam o autocuidado.
Esses elementos ajudam a explicar por que a hipertensão é mais prevalente e, muitas vezes, mais negligenciada nesse grupo, lembrando que a hipertensão é um dos principais fatores de risco para o infarto do miocárdio, o acidente vascular cerebral e a insuficiência cardíaca e renal.
Destaque-se que, apesar dos números preocupantes, a hipertensão é controlável. Estratégias simples podem mudar esse cenário: medir a pressão regularmente, reduzir o consumo de sal, fazer atividade física, controlar o peso, evitar o tabagismo e buscar acompanhamento médico. Nós no ambulatório de Cardiologia da Mulher do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) temos buscado com orientação adequada diminuir o risco e aprimorar as formas de reconecimento desta importante doença com caracteristicas muito específicas.
Assim sendo, a hipertensão arterial nas mulheres é um problema frequente, silencioso e muitas vezes ignorado. Reconhecer os dados, entender os riscos e agir precocemente pode evitar complicações graves e salvar vidas. Em saúde cardiovascular, informação não é apenas conhecimento – é prevenção.
Antonio Carlos Palandri Chagas é médico, professot titular de Cardiologia do Centro Universitário FMABC e membro titular da Academia de Medicina de São Paulo.
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