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Dedé, eterno trapalhão, celebra nove décadas de humor com agenda cheia de projetos

Agora nonagenário, ele possui planos de fazer inveja a muito garotão e diz que “se ficar em casa sem trabalhar, envelhece"

03/05/2026 | 10:45
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Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Aos 90 anos, completados na última quarta-feira (29), Dedé Santana mantém a agenda cheia e os planos em movimento. Em entrevista concedida ao Diário na data do aniversário, o artista afirmou que segue em atividade em espetáculos circenses, prepara livro, filme biográfico e nova peça teatral. Parar, segundo ele, não é opção. “Se eu ficar em casa sem trabalhar, envelheço”, disse.

Um dos nomes mais populares do humor brasileiro, Dedé diz encontrar energia no contato direto com o público. Atualmente, participa de dois espetáculos circenses: o Abracadabra, produção de Fred Reder que deve passar por São Paulo no segundo semestre deste ano, e o Ilusion Circus, em temporadas por Goiás e Minas Gerais. A rotina inclui viagens, ensaios e apresentações frequentes, cenário que ele encara com naturalidade mesmo após décadas de carreira. “O que me move é entrar no palco e ver a reação das pessoas. Tem gente que chora, lembra da família, da infância.”

Para Dedé, esse vínculo ajuda a explicar a perenidade de seu trabalho no imaginário popular, atravessando gerações e permanecendo na memória afetiva do público. Ao longo da trajetória, foram sucessos no circo, na televisão e no cinema. Somente nas telonas, somados, os filmes de Os Trapalhões levaram mais de 120 milhões de espectadores e formaram filas que dobravam quarteirões em diversas cidades.

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Entre os lançamentos previstos está O Homem que Ficou – Dedé, o Menino que Nasceu no Circo, escrito por Vítor Lustosa. O livro reúne memórias pessoais e bastidores da carreira iniciada ainda na infância, no circo da família, e resgata episódios pouco conhecidos do artista fora dos palcos. A obra também revisita perdas, recomeços e momentos decisivos da trajetória do humorista.

Rafael Spaca, o maior especialista em Trapalhões no Brasil, também deve lançar, pela Editora Consultor Editorial, A Poética Política de Os Saltimbancos Trapalhões (1981), adaptação em livro de sua dissertação de mestrado defendida em 2025 na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), que trata do cinema engajado do quarteto.

Nascido em uma barraca de circo em Niterói, batizado como Manfried Santana, Dedé cresceu entre lonas e estradas. O pai, Oscar Santana, queria vê-lo trapezista. A mãe, Ondina Santana, imaginava o filho como contorcionista. Já o irmão, Dino Santana, apostava em outro destino: dizia que ele tinha mesmo era cara de palhaço. Foi no picadeiro humilde da família que começou a história daquele que mais tarde se tornaria um dos rostos mais conhecidos do humor nacional.

Também está em preparação o longa-metragem Para Sempre Trapalhão, que pretende retratar episódios marcantes da vida pessoal e profissional do artista, da infância itinerante ao estrelato nacional. Segundo Dedé, a proposta é mostrar não apenas o sucesso, mas o caminho percorrido até alcançá-lo.

Outro projeto confirmado é a peça Trapalhão e Trapaceira, ao lado da filha Yasmim Santana. O espetáculo deve unir humor e relação familiar. Dedé ainda participa de campanhas publicitárias e será homenageado em dezembro, nos Estados Unidos, em evento voltado à comunidade brasileira, previsto para ocorrer dentro da Nasa, a agência aeroespacial norte-americana.

Mesmo com nove décadas de vida e mais de oito de carreira, ele afirma que ainda pensa em dois novos filmes. Um deles é o longa inspirado em sua história. O outro, segundo revelou, está escrito há anos e segue guardado à espera de produção.

Além de humorista, Dedé Santana atuou como ator, roteirista e diretor. Ao comentar os novos projetos, destacou a preferência pelos bastidores. “Eu gosto mais de ficar atrás da tela do que na frente. Eu adoro dirigir cinema”, afirma. 

Ao olhar para trás, o humorista diz guardar poucas lamentações. “Só me arrependo de não ter lido mais. Do resto, não me arrependo de nada.” Para quem construiu a trajetória arrancando risos de diferentes gerações, o futuro continua sendo tratado como o próximo espetáculo.

Humorista relembra período vivido no Grande ABC

Antes dos novos projetos e das comemorações pelos 90 anos recém-completados, Dedé Santana já havia consolidado lugar definitivo na cultura brasileira. Integrante de Os Trapalhões, ao lado de Renato Aragão, Mussum e Zacarias, o humorista participou de um dos maiores fenômenos da televisão nacional e de sucessos históricos do cinema.

Ao Diário, Dedé lembrou que a parceria com Renato começou antes mesmo da formação oficial do quarteto, na fase da dupla Dedé e Didi. Para ele, aquele encontro mudou o rumo da carreira e abriu caminho para o grupo que conquistaria o País. “Eu acho que foi a sinceridade da gente em tudo. Ninguém queria ser celebridade, ninguém queria ser famoso. Todo mundo jogava igual. A gente queria fazer as pessoas felizes”, afirmou.

Segundo o artista, esse espírito coletivo ajudou a transformar o programa em referência para diferentes gerações. Nas telonas, Os Trapalhões lideraram bilheterias e viraram tradição nas férias escolares. Dedé estima ter atuado em mais de 70 filmes ao longo da carreira, sendo 48 deles longas-metragens. Parte dessas produções foi dirigida pelo próprio humorista.

Fora da comédia televisiva, ele também coleciona reconhecimento no teatro. Pela peça Palhaços, em que interpretou papel dramático, recebeu premiações em Brasília e em São Paulo, entre elas o prêmio Aplauso.

A trajetória pessoal dele também guarda capítulos no Grande ABC. O humorista contou que viveu em Santo André quando acompanhava o circo da família e, anos depois, morou em São Bernardo, em frente ao parque Cidade da Criança. “Gostava muito de lá”, disse. Ele também recorda que os filhos estudaram na região e cita com carinho lembranças daquele período. 




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