'Sem apoio' Secretária de Assistência Social reconhece maior concentração e atribui cenário à chegada de pessoas de outras cidades; levantamento aponta 731
Alex Nogueira cozinhava ovos com fogo improvisado em plena calçada do Centro da cidade FOTO:Celso Luiz/DGABC

Caixas de papelão, carrinhos e cobertores rasgados compõem a paisagem do Centro de Santo André e de outros bairros da cidade. Mais do que objetos, o cenário revela pessoas, muitas vezes invisibilizadas, abrigadas sob marquises ou em qualquer espaço disponível. Segundo relatos de moradores, cresce a percepção de aumento no número de pessoas vivendo nas ruas e sem apoio no dia a dia.
Em frente à unidade do Bom Prato, na região central, Alex Sandro Nogueira, 47 anos, vive na calçada, onde coleta materiais recicláveis e faz “bicos” para obter renda. Com uma panela doada, por volta das 16h de ontem, preparava ovos e improvisava o fogo em uma lata para fazer sua primeira refeição do dia.
“Vim parar aqui por conta de problemas familiares na Vila Luzita. Desde os 18 estou nessa situação. O negócio está feio aqui, a administração só aparece para perguntar se vamos comer ou para pegar meu carrinho. Tem até a Casa Amarela, mas o local parece um formigueiro de tão lotado”, comentou Nogueira.
Próximo ao Theatro Carlos Gomes, é possível observar um dos principais pontos de contingência, assim como em frente à Estação da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) Prefeito Celso Daniel, em Santo André.
Para os moradores de Santo André, o aumento no número de pessoas em situação de rua é perceptível. O aposentado e morador há dois anos da cidade, José Jorge, 68, relatou que percebeu um aglomerado maior nas vias. “Está demais, sempre teve, mas percebi um aumento. O Centro, então, está abarrotado de gente. Queria ajudar todos, mas não posso”, disse.
Já o motorista de caminhão e morador do bairro João Ramalho, José Viveiros, 44, relatou uma crescente próxima à sua residência. “A Prefeitura poderia dar um apoio, porque o pessoal da comunidade está muito nas calçadas. É um povo que precisa de acolhimento e atenção, às vezes não tem ninguém por eles. Vejo muito, principalmente na Estrada Cata Preta e na Vila Luzita, está aumentando cada vez mais, principalmente nos bairros”, comentou Viveiros.
Segundo a secretária de Assistência Social, Ana Claudia de Fabris, há atualmente registro de 731 pessoas em situação de rua, com aumento expressivo desde o segundo semestre de 2025. Apesar desse cenário, a gestora afirmou que a maioria é oriunda de outros municípios e apresenta uso de substâncias psicoativas, além de não possuir vínculo familiar.
“A Secretaria de Assistência Social mantém uma rede de serviços socioassistenciais voltada à população em situação de rua, com ações permanentes de acolhimento, atendimento especializado, alimentação, higiene, encaminhamento para documentação, atendimento psicossocial e acesso a benefícios e demais políticas públicas. Também são realizadas ações contínuas de abordagem social”, disse a gestora.
Apesar disso, moradores apontam pouca efetividade das ações. Para o educador físico e morador do bairro Jardim, Wellington Ulisses da Silva, 40, as políticas públicas podem não estar surtindo o efeito esperado. “Trabalho aqui no Centro e vejo aumentando a quantidade da população de rua. Não percebo atenção da administração sobre isso, pelo menos não vejo nenhuma ação sobre. Acho que era bem importante observarem porque traz drogas, assalto, medo aos visitantes e atrapalha a cidade”, disse Silva.
A gestora da Pasta afirmou que o município conta com uma rede estruturada de atendimento à população em situação de rua, como Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social), Núcleo de Convivência para Pessoas Adultas em Situação de Rua, Casa de Passagem para Pessoas Adultas e Serviço de Acolhimento Institucional.
Contudo, esses dois últimos equipamentos contam com 243 vagas de abrigo no total, longe de poder acolher as mais de 700 pessoas do levantamento.
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