Evento sindical Ele participou nesta sexta-feira (1º) de evento no Paço Municipal junto com Boulos e Haddad, que dizem acreditar na possibilidade de aprovação da pauta antes das eleições
Celso Luiz/DGABC

O ato do Dia do Trabalho realizado nesta sexta-feira (1º) pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC no Paço Municipal de São Bernardo concentrou pedidos pelo fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso). O evento teve as presenças de nomes como o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e o pré-candidato a governador de São Paulo e ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Os políticos dizem acreditar que a pauta será aprovada no Congresso Nacional antes das eleições em outubro.
Marinho classificou que a atual configuração de trabalho é “cruel” com os brasileiros, em especial com as mulheres. “Eles precisam de mais tempo para si e para a família, para cuidar da vida, da saúde, da educação. Quem pode fazer análise concreta é o Congresso, que tem a responsabilidade de tramitar os textos.”
Duas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) em relação ao fim da escala 6x1 começaram a ser analisadas por uma comissão especial na Câmara dos Deputados. A previsão é que o relator dê o parecer até o fim de maio. Em paralelo, o presidente Lula encaminhou projeto de lei sobre o tema para ser analisado em caráter de urgência. “Incorporar na Constituição impedirá que, no futuro, um aventureiro proponha o aumento da jornada”, completou Marinho.
Fernando Haddad afirmou que os trabalhadores precisam aproveitar o ano eleitoral para pressionar o Parlamento para que a mudança ocorra. “A batalha do ano é fazer o Congresso aprovar, antes das eleições, a revisão da jornada 6x1. Se não tiver mobilização da classe trabalhadora, isso será adiado. Como tem eleição neste ano, precisamos aproveitar o ânimo dos trabalhadores para falar com deputados e senadores e dizer: ‘votem na emenda constitucional que estabelece a jornada de 40 horas (por semana), sem redução do salário’”, destacou Haddad.
Boulos pontuou que o projeto, que já tramita há mais de um ano, só ganhou protagonismo porque a sociedade e o governo federal “abraçaram a pauta”. “Faz 38 anos que não se reduz a jornada no Brasil. A última vez foi na Constituição de 1988. Agora, no que depender do presidente e de todo o sindicalismo, nós vamos garantir essa alteração.”
Ele disse, ainda, que a data pode ter sido o último Dia do Trabalhador com a 6x1 em vigor. “Aqueles que estão ao lado dos trabalhadores e de 80% da população brasileira que defende, no mínimo, dois dias de descanso vão se posicionar. Aqueles que estão contra vão se posicionar também e vão pagar o preço.”
Entre as reivindicações, trabalhadores também defenderam a regulamentação do serviço por aplicativo. “Vamos para cima do Congresso para que essas pautas sejam atendidas na ‘Casa do Povo’, que dizem que é lá. Cobraremos de cada deputado e senador para que a nossa classe, que produz a riqueza do País, avance cada vez mais”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges.
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