Costume Nova edição anima colecionadores do Grande ABC e bancas de jornais, mesmo com aumento nos preços em relação aos torneios anteriores
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Antes mesmo da chegada oficial dos álbuns às bancas, os primeiros sinais da febre já eram visíveis. Desde o início da semana, os envelopes de figurinhas da Copa do Mundo de 2026 começaram a ser vendidos, antecipando a movimentação que se intensificou com o lançamento dos cadernos nesta quinta-feira (30) e trouxe de volta uma tradição que atravessa gerações.
Em São Bernardo, o colecionador Pedro Lopes Gasperetti, 23 anos, é um exemplo de como a paixão nasce cedo e se mantém. Com cerca de 30 álbuns na coleção, que vão de Copas do Mundo a edições de Campeonato Brasileiro e à extinta Copa das Confederações, ele vê o hábito como uma espécie de herança de família. “Tudo surgiu por conta do meu pai. Ele sempre colecionou e quis passar isso. Sempre colecionamos juntos, e o primeiro álbum que eu lembro de completar foi o da Copa de 2010, junto com ele”, conta.
O novo álbum chega maior, acompanhando as mudanças do Mundial. Com 48 seleções, a edição tem 112 páginas e 980 figurinhas, cerca de 300 a mais que a anterior. Os preços também chamam atenção: a versão brochura custa R$ 24,90, enquanto a de capa dura chega a R$ 74,90. Já o envelope com sete figurinhas sai por R$ 7.
Em comparação às edições anteriores, em 2022 os envelopes custavam R$ 4, e, em 2018, R$ 2. A inflação dos valores impacta quem coleciona. Gasperetti lembra que, antes, completar um álbum era mais simples. “Na Copa de 2010, o pacote era R$ 0,75. Influencia muito. Eu acabo comprando menos, preenchendo o álbum mais devagar e apostando nas trocas”, afirma.
Segundo ele, as figurinhas mais aguardadas da edição são as dos atacantes Lionel Messi, atual campeão mundial pela Argentina, e Cristiano Ronaldo, de Portugal. A expectativa se justifica pela possibilidade de o torneio marcar a última participação dos astros em Copas do Mundo.
Sobre o torneio, que será disputado entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, México e Canadá, o colecionador vê potencial para surpresas. “Tem tudo para ser uma grande Copa. Com mais times, aumenta a chance de zebras, mas se for para apostar, acho que a taça fica entre França e Portugal”, diz. Já em relação ao Brasil, que está no Grupo C ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia, ele é cauteloso. “A camisa pode pesar, não há nada igual à Copa, mas as expectativas não são altas”, explica.
BANCAS
Para quem trabalha em bancas, o período começou com movimento intenso. Atendente da Banca do Poli, na Avenida São Paulo, em São Bernardo, Vinícius Campos Ribeiro relata que a procura pelos envelopes já indica um bom cenário. “É uma loucura. Recebemos pessoas o dia inteiro comprando e trocando. Para nós, é a melhor época do ano”, diz. O comerciante iniciou a venda dos envelopes na última quinta-feira (30)e, segundo ele, mais de 500 clientes em busca dos produtos já visitaram a banca no primeiro dia.
Ribeiro afirma que enfrentou dificuldades no fornecimento por parte da Panini, marca responsável pelo material, o que atrasou a chegada dos cadernos. Na banca, a venda dos álbuns começará apenas nesta sexta-feira (1º), situação que, segundo ele, se repete na maior parte dos pontos da região.
Na Banca da Matriz, no Centro de São Bernardo, os cadernos foram recebidos na última quinta, e a movimentação também foi intensa nas primeiras horas. Administrador do local desde 1984, Jackson Carlos da Silva já contabiliza grande procura. “Não para de chegar gente. Comecei a vender hoje (última quinta-feira - 30) à tarde e pelo menos 200 pessoas já passaram por aqui”, afirma. A expectativa é ampliar o fluxo nos próximos dias. “Ainda foi pouco tempo, mas a procura já parece maior do que em 2022.”
Apesar do crescimento das vendas on-line, Ribeiro afirma que o movimento segue forte nas bancas físicas. “Hoje dá para comprar tudo por delivery em minutos, e isso nos atrapalha. Mas a expectativa ainda é alta”, explica. Segundo ele, o público é diverso. “Quem colecionava quando criança cresceu e passa isso para os filhos. Tem criança, jovem, idoso. É algo que une.”
Em períodos de Mundial, as bancas também se transformam em ponto de encontro. “A gente costuma organizar trocas todos os dias. Colocamos mesas e bancos. As pessoas ficam horas aqui, e isso movimenta até a venda de outros produtos”, completa Ribeiro. A Banca do Poli já iniciou as trocas na quinta-feira, enquanto a Matriz começará as ações em grupo nesta sexta-feira.
No Grande ABC, a cultura se espalha e, além das bancas, shoppings são pontos de troca. Locais como Golden Square Shopping, Shopping ABC, Grand Plaza Shopping e São Bernardo Plaza Shopping já confirmaram espaços dedicados para os colecionadores.
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