Economia Titulo Crescente

Concessão de crédito rotativo bate R$ 110 bihões no 1º trimestre

Região teve 1.164.387 endividados em março, alta de 12,5% frente mesmo período de 2025

Beatriz Mirelle
27/04/2026 | 19:18
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Celso Luiz/DGABC
Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O uso do cartão de crédito rotativo somou R$ 109,65 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O valor representa alta de 9,7% em comparação ao mesmo período de 2025, quando o número chegou a R$ R$ 99,9 bilhões. Os dados foram divulgados ontem no Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, do BC (Banco Central).

Em março, o Grande ABC registrou 1.164.387 endividados, aumento de 12,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando eram 1.034.275 pessoas com nome sujo. Para tentar frear essas estatísticas, governo federal deve lançar ainda nesta semana o Desenrola 2.0, segunda fase do programa emergencial de renegociação de dívidas.

O crédito rotativo é acionado automaticamente quando a pessoa não paga integralmente a fatura do cartão na data de vencimento. Pagar o valor mínimo é uma forma de entrar nessa opção, como explica a Serasa. O montante que deixou de ser pago se transforma em empréstimo e é transferido para o mês seguinte, com taxas.

O repositor Marcos dos Santos, 27 anos, morador do bairro Capuava, em Santo André, tem dívidas de R$ 6.000 com cartão de crédito. Ele comprou uma moto e, depois que foi roubado, enfrentou mais dificuldades para quitar as faturas de todas as contas. “Futuramente, vou me organizar mais. Pretendo fazer um acordo para tentar pagar essa conta especificamente, Tenho empréstimos consignados que já são descontados diretos da folha de pagamento.”

Segundo o BC, a taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas ficou em 61,5% ao ano. As concessões de crédito livre para pessoas físicas subiram 15,1% em março frente a fevereiro, para R$ 350,4 bilhões. No acumulado de 12 meses, avançaram 10,4%.

Endividada há dois anos, a enfermeira Luciana Nascimento, 49, do Parque Jaçatuba, em Santo André, afirmou que as taxas altas dificultam qualquer chance de negociação. “As coisas ficaram muito altas. O custo de vida aumentou bastante e o salário não acompanha. Familiares ficaram desempregados e isso abalou o orçamento. Tenho uma dívida de R$ 11 mil por causa de empréstimos. Agora, anoto tudo em uma planilha para conseguir cortar custos e priorizar o que realmente importa. Ainda não comecei a pagar essa conta, mas tenho uma reserva para usar quando receber uma boa proposta de negociação.”

De acordo com regras do BC, a pessoa só pode ficar no crédito rotativo por 30 dias seguidos. Depois, o banco é obrigado a oferecer opções de crédito com juros menores.

(Colaborou João Vittor Espindula)

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