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Eleitorado de 16 e 17 anos registrou queda de 60,7% entre 2022 e 2024

Eleição para presidente teve forte participação juvenil, impulsionada pela mobilização nas redes sociais

Felipe Delmondes
Especial para o Diário
25/04/2026 | 07:00
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FOTOS: Arquivo pessoal Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A região chegou às eleições municipais de 2024 com um contingente de 9.181 eleitores entre 16 e 17 anos, consolidando queda de 60,7% em comparação ao pleito de 2022, quando foram definidos os futuros presidente e governadores, por exemplo. Naquele ano esse grupo somou 23.340. 

No País, o voto é facultativo para pessoas entre 16 e 17 anos. Em 2022, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) registrou recorde de eleitores, com mais de 155 milhões de brasileiros aptos ao voto, sendo que desse contingente 2,1 milhões não tinham obrigatoriedade de ir às urnas, cenário que se refletiu na região. No recorte específico dos jovens de 16 anos do Grande ABC, por exemplo, em 2022 esse grupo somou 8.767 votantes. Já em 2024, houve retração de 68%, com o total caindo para 2.770. 

Essa flutuação nos dados encontra explicação no papel fundamental dos influenciadores digitais, que transformaram o tirar o título em uma ‘trend’, e no maior interesse dos jovens nas pautas nacionais. 

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Em 2022, figuras de enorme alcance como a cantora Anitta e a influenciadora digital Juliette Freire utilizaram suas plataformas para convocar os jovens às urnas, muitas vezes associando o voto a um ato de “rebeldia” ou “mudança de futuro”.

A influência, porém, não partiu apenas de um lado do espectro político. O boom de 2022 foi alimentado por uma polarização digital intensa, onde influenciadores de direita, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), dono de um dos maiores engajamentos entre jovens no Brasil, também mobilizaram milhares de seguidores sob a bandeira da participação ativa e dos valores conservadores. 

O professor da Metodista e doutor em Comunicação Social, Marco Aurélio Bernardes, avalia que a forte oscilação na participação eleitoral desse público está relacionada ao ambiente digital e ao papel dos influenciadores na formação de opinião. O docente também cita que temas nacionais têm mais destaque nas mídias e dão a sensação de maior impacto no trabalho, renda e violência, por exemplo.

“Na questão dos influencers, é um reflexo da época que vivemos. Uma era da aparência, em que os influenciadores exercem grande impacto na vida das pessoas, definindo comportamentos, valores e até decisões políticas”, afirma Bernardes, ao defender que a escola poderia assumir esse papel.

O especialista destaca ainda que essa influência do que fazer, como fazer, o que tem valor e o que não tem, não se restringe a um único campo ideológico, mas se intensifica em contextos de alta polarização digital, em que diferentes vozes competem pela atenção do público jovem. “Aqueles atores políticos ou sociais que conseguem ocupar esse espaço deixado pela ausência de outras referências acabam tendo um papel central na mobilização, seja de forma progressista ou conservadora”, completa.

Sobre a falta de interesse em pautas locais, ou seja, das cidades, Bernardes afirma que é essencial que a política faça o resgate do valor da opinião das pessoas em temas que repercutem imediatamente na qualidade de vida delas. “Por que é que a gente não se preocupa com coleta seletiva, zeladoria, segurança e a qualidade das escolas? O que é que está faltando? Esse pertencimento tem de ser resgatado.” 

Julio Cesar de Siqueira Pereira, 19 anos, estudante e morador de São Caetano, votará pela primeira vez este ano. Segundo o jovem, a decisão de participar agora passa por uma nova percepção sobre política e cidadania. “Hoje eu tenho uma perspectiva diferente da importância de votar. Quero votar de verdade. Não só justificar ou deixar em branco.”

Para Pereira, as redes sociais também moldam o debate político entre sua geração. “O que aparece nas redes entra na sua cabeça e inevitavelmente te influencia”, destaca. Ao definir o que pesa na escolha dos candidatos, o jovem aponta a educação como prioridade. “É o principal pilar da sociedade e não funciona como deveria. Se eu pudesse cobrar algo dos eleitos, seria foco em educação e saúde.” 

A estudante de 19 anos Laura Lima Botelho, moradora de São Bernardo, vai votar também pela primeira vez em 2026, carregando um simbolismo ligado ao avanço feminino na política. “Parece que estou entrando em um momento em que as coisas estão mudando de verdade. As mulheres estão ganhando mais espaço, então dá uma sensação de que meu voto também faz parte disso”, afirma. 

Para a jovem, o voto feminino influencia diretamente os rumos das eleições. “As mulheres vivem inúmeras situações que acabam pesando na hora de votar”, diz, citando segurança, igualdade e representatividade entre as pautas que mais pesam em sua escolha. 

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