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Grande ABC tem potencial para ser um polo do terror, diz youtuber

Com 13,5 milhões de seguidores, criador de conteúdo de Santo André, Daniel Pires, ganhou destaque nas redes por produções sobrenaturais

25/04/2026 | 07:01
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FOTO: Reprodução/Instagram
FOTO: Reprodução/Instagram Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Por trás das histórias de fantasmas e dos relatos sobrenaturais de um dos maiores canais de terror do País, está um andreense que transformou o fascínio pelas lendas urbanas e pelo desconhecido em profissão. Aos 40 anos, Daniel Pires soma 13,5 milhões de seguidores nas redes sociais e defende que o Grande ABC tem potencial para se tornar referência nacional quando o assunto é terror e sobrenatural.

Morador de Santo André, ele grava os episódios do programa LendaCast na própria casa, transformada em estúdio. O espaço, porém, já começa a ficar pequeno para os planos do criador, que prepara novos projetos e busca um espaço maior para profissionalizar ainda mais a produção.

Formado em Rádio e TV em São Caetano, o andreense conta que a paixão pelo terror surgiu ainda na infância, entre visitas a velórios ao lado da avó, Iolanda Mangolo, 81, e o contato com histórias macabras narradas pelo avô, Odilon Pires, que trabalhou em circo e morreu em 1997 aos 52 anos. “Nunca fui uma criança com medo, sempre tive curiosidade por cemitério, por caixão e por esses locais ”, relembra. 

DGABC

Antes de viver da internet, Pires trabalhou na metalurgia e também como videorre-pórter em veículos como Estadão e Diário de São Paulo. O canal surgiu em 2013, inicialmente focado em curtas de terror produzidos de forma independente. Já o LendaCast nasceu apenas em 2020, primeiro em áudio, até ganhar versão em vídeo e se transformar em fenômeno de audiência.

Atualmente, o programa mescla sobrenatural, religião, relatos assustadores e pautas sociais. O apresentador recebe desde padres e médiuns até representantes de religiões pouco conhecidas, sempre com uma postura mais observadora do que confrontadora.

“Gosto de ouvir os dois lados. O momento do LendaCast hoje é de ouvir. A pessoa senta aqui e fala o que acredita”, afirma.

Apesar da temática, Pires evita se definir religiosamente. Ele se considera agnóstico, mas admite carregar forte influência do catolicismo, principalmente pela música e pelas experiências vividas na igreja durante a juventude.

Quando o assunto é terror regional, Paranapiacaba aparece como o grande xodó do criador de conteúdo, que acredita que a antiga vila inglesa de Santo André ainda é pouco explorada no turismo sobrenatural. “Paranapiacaba é um tesouro. Quando Hollywood descobrir aquilo, a gente precisa tomar cuidado para não pegarem para eles”, brinca.

Segundo ele, a atmosfera poderia ser utilizada de maneira mais intensa para experiências de entretenimento ligadas ao sobrenatural. “O Grande ABC tem potencial para ser um polo do terror. Falta abrir mais os braços para o segmento. Isso movimenta turismo, economia e as pessoas gostam desse tipo de experiência”, afirma.

Além de Paranapiacaba, ele cita outros pontos curiosos da região que despertam interesse, como casarões antigos, como a Chácara da Baronesa, em Santo André, e uma casa que foi transformada em um “cemitério de bonecas”, em Diadema.

Pires também acredita que o terror brasileiro ainda sofre preconceito cultural, muito por conta da influência das produções norte-americanas. Mesmo assim, vê uma mudança gradual no cenário nacional. “O terror brasileiro só precisa de um grande filme que exploda. Quando isso acontecer, a engrenagem começa a andar”, analisa.

FUTURO

Entre os próximos projetos está o lançamento do livro Brasil Assombrado, título provisório da obra que deve chegar à Bienal do Livro, em setembro. O trabalho reunirá lendas urbanas e histórias sobrenaturais dos 26 Estados e do Distrito Federal.




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