Literatura Com 32 anos de história e obras a R$ 10, a maior feira literária do Grande ABC volta a Santo André esta semana com entrada gratuita
FOTO: Divulgação

Em um País onde 6,7 milhões de pessoas se afastaram dos livros nos últimos anos, segundo dados da 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o Mega feirão do Livro ABC 2026 abre as portas nesta quinta-feira (23) como uma resposta a esse distanciamento. A edição deste ano marca os 32 anos do evento, que se consolidou como o maior encontro literário do Grande ABC.
Com entrada gratuita e programação que vai até domingo (26), o evento ocupa o Primeiro de Maio Futebol Clube (Av. Portugal, 79, Centro), em Santo André, reunindo mais de 100 selos editoriais e milhares de títulos a preços que dificilmente seriam encontrados nas livrarias convencionais. O funcionamento é de quinta a sábado, das 10h às 22h, e no domingo das 9h às 20h.
O espaço agrega cerca de 10 mil títulos com descontos de 20% a 70%, em gêneros que vão de romance e suspense a negócios, religião e literatura juvenil, com opções a partir de R$ 10 e parcelamento em até seis vezes sem juros. A cada 20 minutos, sorteios animam o público, enquanto o espaço oferece também restaurante, lanchonete e área de bem-estar com acupuntura e quiropraxia. Entre as editoras confirmadas estão Companhia das Letras, JBC, Galera Record, DarkSide, Planeta, HarperCollins, Happy Books, Vozes, L&PM, Martin Claret, Aleph, FEB e Boa Nova, entre outras.
Para Alexandre Marques, organizador do evento, a edição deste ano chega em um momento especialmente relevante. “No Grande ABC, não temos ações concretas e de grande porte estimulando a literatura, então quando surge um evento como esse, com entrada gratuita e preços acessíveis, isso desperta a curiosidade.” Para ele, o hábito da leitura vai além do entretenimento: “O ser humano precisa de mais conteúdo, a leitura pode desenvolver outras habilidades, expandir a mente e abrir um novo horizonte.” A expectativa para esta edição é superar a marca de 30 mil livros vendidos em 2024, quando mais de 10 mil visitantes circularam pelos 2.000 m² do espaço, um crescimento projetado de 30% em relação àquele ano.
O público que chega ao evento carrega motivações das mais variadas, e é justamente essa diversidade que dá vida à feira para além das prateleiras.
Manoela Ciari, 23 anos, mora em Santo André e é profissional de mídias sociais. Apaixonada por suspense e romance, de Agatha Christie a Colleen Hoover, desenvolveu o gosto pela leitura na adolescência depois de ganhar sua primeira trilogia de livros do tio. O hábito foi crescendo com o tempo. “Comecei com a meta de ler pelo menos um livro por mês, hoje consigo ler de quatro a cinco.”
A autora, jornalista e editora Solange Sólon Borges, 62 anos, marcou sua primeira participação no evento apresentando sua editora independente, O Artífice, com obras que vão da ficção à poesia em prosa. Leitora voraz, ela consome cerca de 20 livros por mês e fala da influência do hábito na própria escrita: “É uma jornada. A gente vai lendo, vai construindo uma memória cultural, o vocabulário se torna mais requintado, surgem metáforas, imagens, a gente acaba sendo receptáculo de todos esses grandes escritores que acabamos lendo.”
Observando obras de Dostoiévski com um carrinho já cheio de livros, Rafael, 21 anos, morador da Capital, está prestes a começar a graduação em psicologia. Fascinado pela mente humana, descobriu que metas rígidas não funcionam para ele e que a leitura fluida é o melhor caminho. O livro que mudou sua relação com a literatura foi A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstói. “Foi um dos primeiros livros que me fez pensar: eu queria ter escrito isso.”
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