Artes marciais De Santo André, Camila Peticov tem carreira marcada por superação e títulos relevantes
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A história da carateca Camila Peticov Reis de Luz, 34 anos, é marcada pela persistência e dedicação ao esporte. Residente da Vila Luzita, em Santo André, ela alcançou um dos maiores momentos da carreira ao conquistar o título do Campeonato Sul-Americano na categoria Master A, além de garantir um lugar na Seleção Brasileira.
O primeiro contato com o caratê ocorreu ainda na infância, mais precisamente aos 9 anos, quando foi convidada por uma prima para participar de uma aula. O que inicialmente seria apenas uma experiência acabou se transformando em um caminho de vida. “Logo na primeira aula senti que ali era o meu lugar. Não era apenas aprender a lutar, mas entender o respeito, a disciplina e os valores”, relembra.
Com o passar do tempo, os treinos tornaram-se parte da rotina. A esportista passou a frequentar o dojo (espaço dedicado aos treinamentos) diariamente e a competir nos fins de semana, iniciando uma caminhada que a levaria aos principais torneios do País. “Quando eu percebi que treinava todos os dias e vivia aquilo intensamente, entendi que o caratê já não era mais um hobby, mas algo que fazia parte da minha identidade”, afirma.
No entanto, a trajetória foi marcada por inúmeros desafios. Aos 15 anos, a atleta precisou passar por cirurgia no quadril, resultando em afastamento de qualquer atividade física por um longo período. Quando recebeu liberação médica, o retorno ao tatame não foi imediato, devido às dificuldades rotineiras, conciliando o trabalho com os estudos, fazendo com que ela permanecesse anos distante de competições.
O reencontro com o caratê aconteceu durante a pandemia, quando decidiu retornar aos treinamentos. A partir daí, retomou o ritmo competitivo e iniciou sequência de conquistas históricas, acumulando títulos expressivos, sendo tetracampeã brasileira, heptacampeã paulista, bicampeã paulistana e campeã sul-americana.
A conquista continental veio após sequência de bons resultados em competições estaduais e nacionais, que garantiram a classificação para o torneio, promovida pela CBK (Confederação Brasileira de Karatê), sediada em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.
No momento do triunfo, a emoção tomou conta da caraterca. “Quando percebi que tinha conquistado o título, passaram pela minha cabeça todos os anos de treino, as dificuldades e as pessoas que estiveram ao meu lado nessa caminhada”, conta.
Apesar das inúmeras medalhas, Camila destaca que manter-se no esporte exige esforço também fora do tatame. Muitas competições são custeadas pelos próprios atletas, o que torna a jornada desafiadora, ainda mais para ela, que trabalha como compradora na GM (General Motors). “O caratê exige disciplina dentro e fora das competições, porque, além de treinar e competir, é preciso conciliar trabalho, vida pessoal e os custos que muitas vezes saem do nosso próprio bolso”, explica.
Ao longo dessa caminhada, a atleta destaca o papel fundamental da família, do marido, Matheus Reis, e da sensei, Cintia Yumi Yonamine Vaz , responsável por sua formação no esporte. Segundo Camila, o apoio dessas pessoas foi essencial para que ela seguisse em frente mesmo diante de momentos muito mais difíceis.
Agora, com o título sul-americano e a vaga cativa na Seleção Brasileira, o objetivo é continuar evoluindo e disputar novas competições internacionais. “Meu sonho é continuar representando o Brasil e mostrar que com dedicação, respeito e perseverança é possível ir muito mais longe do que a gente imagina”, conclui.
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