Queda Produto nacional tem diminuição de 10,6% nas vendas no primeiro bimestre do ano e atinge a menor marca para o período desde 2019
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A indústria brasileira de pneus registrou a venda de 5,5 milhões de unidades nos meses de janeiro e fevereiro, o que representa queda de 10,6% em relação à marca obtida no mesmo período de 2025. Este foi o pior resultado desde 2019, quando foram comercializados 7,5 milhões no primeiro bimestre. A culpa, segundo Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) é da entrada no País de produtos importados, principalmente de países asiáticos.
A derrapada dos produtores, entretanto, não significa que os negócios de quem importa estejam calibrados. Pelo contrário. A Abidip (Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus) questiona o aumento de impostos dos produtos vindos de fora do País, principalmente a proposta que tramita no CAT (Comitê de Alterações Tarifárias) da Camex (Câmara de Comércio Exterior), que prevê a elevação da alíquota de 25% para 35% ainda neste ano, a pedido da Anip.
“Os resultados seguem extremamente preocupantes para a indústria nacional, colocando em risco a operação das fabricantes, os empregos e a própria soberania nacional para este insumo estratégico para o País, que é o pneu e a borracha”, diz Rodrigo Navarro, presidente da Anip.
De acordo com o levantamento da associação, as vendas totais para pneus de carga foram as mais afetadas pela retração, com queda de 14,9%. No segmento de passeio a redução foi de 9,8%. No segmento de pneus para motocicletas houve estabilidade.
O market share (participação no mercado) dos pneus nacionais fechou o primeiro bimestre em 31%, menos que os 41% verificados no primeiro bimestre de 2025. Em 2021, o índice era de 63%.
“Seguimos em diálogo com o governo e já contamos com o apoio de entidades do nosso ecossistema para que sejam tomadas medidas contra a concorrência desleal”, diz Navarro.
Para os importadores, um dos principais problemas da proposta é a aplicação indiscriminada da tarifa sobre todas as categorias de pneus, inclusive aquelas que não são produzidas pela indústria instalada no País, como pneus de aros 13 e 14.
De acordo com a entidade, grande parte do mercado de reposição, especialmente voltado a veículos com mais de cinco ou dez anos de uso – que representam parcela significativa da frota brasileira – depende de medidas amplamente atendidas por importadores.
“A proposta ignora a realidade do mercado ao atingir produtos que sequer são fabricados no Brasil. Nesse caso, não há proteção à indústria nacional, mas, sim, restrição de oferta e aumento direto de custo ao consumidor”, afirma o presidente da Abidip, Ricardo Alípio.
Em março, a Anip e outras 40 entidades assinaram um manifesto encaminhado ao governo federal pedindo providências para restringir a entrada de pneus importados e classificou a atual situação como uma competição desleal.
Manifesto da Anip defende o fim da ‘concorrência desleal’
A Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos) enviou ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), em março, um manifesto multissetorial em que pede providências contra a entrada massiva de pneus importados no País, segundo a entidade ‘muitas vezes em condições que fomentam uma competição desleal no mercado’.
O documento alerta que toda a cadeia de produção do setor – que envolve produtores de borracha e fabricantes de aço, produtos químicos e têxteis – está sendo duramente afetada por produtos importados que chegam ao País em alto volume, incluindo situações com preços inferiores aos custos de produção no mercado internacional e sem cumprir as exigências ambientais previstas na legislação brasileira.
A entidade cita dados do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), que há 15 anos seguidos, parte dos importadores não cumpre as metas de recolhimento de pneus inservíveis, acumulando 500 mil toneladas não retiradas do meio ambiente.
Segundo a Anip, a participação de pneus de passeio e carga produzidos no País para o mercado de reposição passou de 66%, em 2021, para 41%, em 2025, por conta de condições assimétricas de competição neste mercado.
“Estamos vivendo um momento de grave risco de ruptura da cadeia de produção que pode levar à desindustrialização do setor, comprometendo a soberania nacional e a oferta de insumos estratégicos para o País”, diz Rodrigo Navarro, presidente da Anip.
Abidip diz que problema é a falta de competitividade da indústria
A Abidip (Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus) afirma que o desafio enfrentado pela indústria nacional não decorre de falta de demanda, mas, sim, de competitividade. “Os fabricantes instalados no Brasil são fornecedores diretos das montadoras, cujo mercado está em expansão. Isso evidencia que não há ausência de mercado, mas, sim, necessidade de ganhos de eficiência, inovação e modernização produtiva”, afirma o presidente da entidade, Ricardo Alípio.
Segundo a Abidip, enquanto fabricantes asiáticos avançaram significativamente em tecnologia, escala e produtividade, a indústria local seguiu com estruturas mais rígidas e custos elevados, recorrendo a aumentos tarifários como mecanismo de proteção.
A entidade alerta que o encarecimento dos pneus pode impactar diretamente atividades intensivas em transporte, como motoristas de aplicativos, taxistas e frotistas, com reflexos sobre custos logísticos e inflação. Além disso, há preocupação com a segurança viária. O aumento contínuo de preços pode levar consumidores a postergar a substituição de pneus, elevando o risco de circulação com produtos desgastados.
Para a Abidip, a política tarifária deve buscar equilíbrio e previsibilidade, evitando distorções no mercado.
“A elevação sucessiva de tarifas não pode substituir a necessidade de ganhos de eficiência. O risco é criar um ambiente artificialmente protegido, de monopólio, com prejuízo à concorrência, à inovação e ao consumidor”, diz Alípio.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.