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Grande ABC só tem a ganhar com gastronomia


Rosângela Espinossi
Do Diário do Grande ABC

22/05/2005 | 09:48


Consultora gastronômica e membro do Conselho Editorial do Diário, Ana Maria Ruiz Tomazoni, 53 anos, há 23 no Grande ABC, vive e respira culinária 24 horas por dia. Dorme no máximo cinco horas e o resto da jornada é dedicado às aulas, consultorias e testes de alimentos. Natural do bairro da Mooca, em São Paulo, esta descendente de espanhóis conta que foi iniciada na arte culinária pela mãe e avó, mas só quando mudou para a região começou trabalho efetivo na área, com uma pequena fábrica de chocolates, uma das iguarias que mais adora. Durante a semana, não cozinha para a família, mas são seus filhos e marido que opinam sobre os alimentos que testa para as empresas a que presta serviço.

Além da culinária, Ana Maria, cuja formação inicial é em Pedagogia (com pós-graduações em Hotelaria e em Eventos e Cerimonial), encontra tempo ainda para se dedicar a outra paixão: dar aulas para a terceira idade. A professora começou este ano outra pós-graduação na PUC (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo): Educação e Envelhecimento. Com mais de duas décadas de experiência na área gastronômica, ela vê com bons olhos o crescimento no número de restaurantes no Grande ABC: “Além de manter o público da região, atrai gente de fora e gera renda”.

DIÁRIO – Como você explica a expansão do mercado gastronômico no Grande ABC nos últimos anos, com a abertura de restaurantes do nível das grandes capitais, inclusive com chefs de cozinha? Havia um nicho ainda não descoberto?

ANA MARIA TOMAZONI – O mercado gastronômico no Grande ABC realmente melhorou, houve aumento no número de casas noturnas, restaurantes, cafés. Esses estabelecimentos já começam a se diferenciar com cardápios e atrativos que seguram o público na região e atraem outros também. Temos muito o que fazer, como profissionalizar o auxiliar de cozinha, dar treinamento constante ao cozinheiro, ficar atento à legislação e às novas tendências culinárias.

DIÁRIO – O que é preciso ser feito para que essa tendência não se reverta?

ANA MARIA – A região está atenta. Veja as escolas superiores com cursos de Gastronomia, como a Universidade Metodista, em São Bernardo, e a Faenac, de São Caetano, que acaba de abrir inscrições. Há também os cursos de Gestão de Negócios, de Turismo. Irá levar mais alguns anos, mas acredito que estamos no caminho certo para essa tendência se fixar definitivamente.

DIÁRIO – Qual o principal benefício para a região desse mercado em expansão?

ANA MARIA – Além de atrair e manter o público da região para prestigiar o que é seu, gera mais renda, arrecada mais impostos, cria novos empregos e movimenta a economia como um todo. É como uma bola de neve, novas necessidades são criadas, como a qualificação da mão-de-obra, gerando mercado para a expansão dos cursos de gastronomia, tanto em nível médio quanto universitário, tudo dentro da nossa região. Isso é muito positivo para a população, que terá melhores serviços, e para os trabalhadores, que melhorarão seu nível escolar e serão aproveitados pelo próprio mercado regional.

DIÁRIO – Na sua opinião, qual a principal vocação gastronômica do Grande ABC: o frango com polenta, pizzarias ou há espaço para todos?

ANA MARIA – Sem dúvida há espaços para todos. Nunca se viu tantas pizzarias abertas em tão pouco tempo e todas vendem e brigam por preços e qualidade. O cliente sai ganhando. Os bares também têm atraído grande público, especialmente nas madrugadas. Não podemos deixar morrer a tradição do frango com polenta, que acredito possa ser retomada como grande atração para o turismo.

DIÁRIO – Houve mudanças no perfil de seus alunos de culinária nestes anos no Grande ABC?

ANA MARIA – Houve mudanças sim, não só no Grande ABC mas no Brasil como um todo. Estive na presidência nacional dos profissionais de culinária por seis anos e percebi que este é um fenômeno nacional. Hoje os cursos rápidos em culinária pagos mais procurados são os de faça-e-venda ou voltados para temas específicos. Minha escola, por exemplo, tem um curso de cozinha básica, de 40 horas, à noite, com perfil bem eclético que reúne desde homens, jovens e empresários; mulheres e homens que trabalham fora e pagam para suas ajudantes; até aposentadas que nunca cozinharam e querem curtir e conhecer os segredos da culinária e da gastronomia. Os cursos fechados para empresas, grêmios, treinamentos e voltados a funcionários e familiares também são procurados. Porém há um novo mercado que se abriu. Empresas procuram a escola para assessoria, testes, receitas, fotos e também trabalhos específicos da cozinha experimental. Assim, nos adaptamos às características de mercado.

DIÁRIO – Como moradora do Grande ABC qual o principal problema que ainda persiste ou que se avolumou neste período e qual sua sugestão para saná-lo?

ANA MARIA – O maior problema no Grande ABC é sem dúvida a segurança, como ocorre com nosso país como um todo. Mas um dos problemas específicos da região é a degradação do meio ambiente, como a represa Billings, que sofre com a poluição e as invasões das áreas de mananciais. Isso gera conseqüências de difícil solução.

DIÁRIO – Você trabalha com alunos da terceira idade. A partir de sua vivência com eles, quais são os principais anseios ou reclamações dessa parcela da população em relação ao Grande ABC e qual sua sugestão a respeito?

ANA MARIA – Entre os principais anseios dos idosos está ter tempo para descobrir atividades agradáveis, como as físicas e jogos com amigos. Na faculdade da terceira idade, formam uma nova família que fala a mesma linguagem e tem os mesmos anseios, prazeres e dores. Lá as pessoas se atualizam, participam de movimentos sociais, teatros, passeios, musicais etc.



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