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‘Começo de uma longa jornada’, diz diretora de filme vencedor sobre Diadema

Documentário de Alice Riff, filmado na Emeb Sagrado Coração de Jesus, chega ao topo no É Tudo Verdade e projeta cotidiano escolar para além da periferia

19/04/2026 | 16:32
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Totalmente filmado na Emeb (Escola Municipal de Educação Básica) Sagrado Coração de Jesus, em Diadema, o documentário Sagrado saiu ganhadora da 31ª edição do festival É Tudo Verdade. A obra da cineasta paulistana Alice Riff venceu neste sábado (18) a Competição Brasileira de Longas ou Médias-Metragens, consolidando um projeto que nasceu da observação da complexidade do trabalho dentro da escola pública. 

Com o prêmio, o longa sobre a educação da região se torna elegível para consideração ao Oscar, já que o festival tem reconhecimento como um Qualifying Festival na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, organizadora da competição.

Em entrevista ao Diário após a premiação, a diretora explica que a ideia começou anos antes, ainda durante outro projeto. “Já tinha realizado um filme numa escola pública, na Barra Funda, acompanhei uma eleição de grêmio de ensino médio e nessa minha imersão, e ali comecei a observar os professores e funcionários”, diz. A partir dessa experiência, surgiu o desejo de aprofundar esse olhar: “Eu comecei a ver a dimensão do trabalho humano, da responsabilidade, de tudo que eles enfrentam naquele cotidiano”.

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A escolha de Diadema dialoga com a importância que a diretora dá sobre a educação ser um direito básico. Alice conta que apresentou o projeto à então secretária de Educação e encontrou abertura para desenvolver o filme. “Diadema foi um município que me chamou a atenção por essa história de luta popular, com a educação, nessa chave de sempre pensar a educação como um direito. Entre algumas escolas, eu escolhi o Sagrado”.

O resultado é um documentário marcado pela intimidade, em que a câmera acompanha reuniões, conversas e rotinas sem interferência aparente, algo que, segundo a diretora, foi construído ao longo do tempo. “Essa presença mais invisível da câmera veio de uma relação de confiança. Era importante que todos entendessem o sentido de fazer o filme”, afirma. “A gente passou o ano inteiro na escola. Filmava muito, mas também conversava muito. É um trabalho de escuta, de troca. Existe um acordo ali, e isso faz com que todos se tornem, de certa forma, autores do filme.”

A naturalidade das cenas revela conflitos, carências estruturais, mas também vínculos e compromisso e, mesmo em um cenário de dificuldades, o documentário encontra potência no cotidiano. “A gente filmando situações aparentemente banais está falando de questões sociais maiores, do nosso País, do contexto político, da história daquele território”, resume.

Para Alice Riff, o reconhecimento no festival, que qualifica o filme para disputar uma vaga no Oscar, reforça a urgência do tema. “É um filme que coloca a educação pública no centro do debate, com um gesto muito simples de filmar o cotidiano dos trabalhadores. É uma escola que está na periferia da periferia e agora está no centro do debate na educação. O Sagrado pode servir de referência para muitas escolas no Brasil. É só o começo de uma longa jornada.”

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