Gestão Há um ano o médico assumiu o hospital com a missão de recolocá-lo na alta complexidade e dar resposta mais efetiva às cidades da região
Celso Luiz/DGABC

Após cerca de um ano à frente do Hospital Mário Covas, em Santo André, o médico Eduardo Grecco deixa a direção da unidade destacando uma série de avanços estruturais, assistenciais e de gestão. O especialista em cirurgia do aparelho digestivo assume agora uma função na área acadêmica, voltada ao ensino, pesquisa e expansão de estágios no Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).
Grecco foi convidado para comandar o Mário Covas com a missão de reposicionar a unidade como referência em atendimentos de alta complexidade. Segundo o especialista, esse objetivo foi alcançado com aumento significativo na capacidade assistencial e na oferta de procedimentos.
“A minha missão foi recolocar o hospital no patamar de alta complexidade e dar uma resposta mais efetiva para os municípios do Grande ABC. Conseguimos ampliar exames, cirurgias e tratamentos em praticamente todas as áreas”, pontua, em entrevista ao Diário.
Entre os principais resultados, o diretor destaca o crescimento expressivo na oncologia. O número de tratamentos saltou de cerca de 60 para 900 por mês. Além disso, segundo Grecco, o hospital passou a realizar entre 600 e 700 cirurgias mensais, cerca de 10 mil consultas ambulatoriais e aproximadamente 1.500 atendimentos de urgência por mês. “Aumentamos a complexidade dos casos atendidos. Hoje realizamos mais cirurgias cardíacas, neurológicas, ortopédicas de alta complexidade, além de procedimentos como cateterismo e angioplastia.”
Outro avanço apontado foi o fortalecimento do atendimento a traumas, com o hospital retomando seu papel de referência regional. “Voltamos a ser referência em trauma. Recebemos casos graves diariamente, inclusive com apoio de helicópteros. O hospital reassumiu essa função essencial para a região”, destaca.
Na área de gestão, Grecco afirma que foi possível reorganizar processos internos e melhorar a eficiência, mesmo diante de um cenário financeiro desafiador. Segundo o médico, embora a dívida não tenha sido zerada, foi possível estabilizar a gestão, manter salários e tributos em dia e estruturar um plano de recuperação.
O orçamento mensal da unidade também foi ampliado, passando de cerca de R$ 20 milhões para R$ 25 milhões. “Conseguimos um aumento de cerca de 25% no orçamento. Isso foi fundamental para manter o hospital funcionando com qualidade e sem gerar novas dívidas.”
Entre as medidas implementadas por Grecco à frente do complexo estão a redução de contratos emergenciais, reorganização de estoques, imple-mentação de auditoria médica e modernização tecnológica. A infraestrutura também recebeu investimentos. Foram reformadas enfermarias, substituídos equipamentos e iniciada a modernização do centro cirúrgico. “Trocamos camas, reformamos enfermarias, adquirimos um novo tomógrafo e começamos a reformar o centro cirúrgico. O hospital hoje tem uma estrutura muito mais moderna”, afirma.
Outras iniciativas incluem a instalação de energia solar, reativação da farmácia de manipulação e adoção de controle de ponto por reconhecimento facial, medidas que segundo o médico reduzem custo, aumentam transparência e melhoram o funcionamento do hospital como um todo.
No aspecto humano, Grecco ressalta melhorias no ambiente de trabalho e valorização das equipes. “Melhoramos o clima organizacional, criamos espaços de descanso e demos mais condições para as equipes trabalharem. Isso impacta diretamente na qualidade do atendimento”, destaca.
Apesar dos avanços, Eduardo Grecco reconhece que o hospital ainda enfrenta desafios, especialmente na área financeira. “A saúde sempre terá desafios. Saio com a sensação de missão cumprida, mas sabendo que ainda há muito a ser feito.”
Agora nomeado diretor de Ensino, Pesquisa e Estágios, divisão recentemente criada na FMABC, Grecco vai se dedicar à área acadêmica. “Vou atuar na ampliação dos campos de estágio, no fortalecimento da pesquisa e na aproximação com municípios e o Estado. É um desafio diferente, mas muito importante”, conclui.
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