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'Se tivesse mais força, salvaria minha mãe', relatou filho de enfermeira à vizinha

Enterro de Elane Amorim Santana ocorreu nesta terça (14), em Santo André; vizinhos relatam desespero e tentativa de socorro após o ataque

14/04/2026 | 11:32
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O enterro da enfermeira Elane Amorim Pacheco Santana, 39 anos, vítima de feminicídio em São Bernardo, ocorreu na manhã desta terça-feira (14), no Cemitério Memorial Jardim Santo André, na Vila Humaitá. O velório teve início na noite anterior e reuniu familiares, amigos e moradores do bairro Jardim João de Barro, ainda abalados com a violência do crime.

Entre os relatos mais fortes está o do filho do casal, de13 anos, que presenciou o ataque e tentou impedir o pai, o eletricista Florisvaldo Francisco de Santana, 38, de cometer o crime. “Se eu tivesse mais força, eu tinha salvado a minha mãe”, teria dito o menino, segundo a vizinha Daiane Alves, cuidadora, 39. “Ele enfrentou o próprio pai. Eu disse para ele: ‘você foi um herói, fez tudo o que podia’ ”, contou.

Moradora da mesma rua, Daiane contou que ouviu os primeiros gritos ainda de casa e, inicialmente, pensou se tratar de uma discussão. “Eu escutei o filho gritando e também a mãe. Achei que era briga, mas os gritos foram ficando mais fortes. Falei pro meu marido que estava acontecendo alguma coisa e fomos até lá”, relatou.

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Segundo ela, familiares tentavam socorrer Elane, enquanto vizinhos se mobilizavam. “Quando chegamos, o pai dela já estava no portão tentando ajudar. A gente tentou socorrer também”, disse.

A vizinha afirma que, naquele momento, ninguém havia percebido a presença do agressor. “A gente só ouviu um barulho forte. Depois vimos que ele já estava caído no chão”, contou. Após o crime, o eletricista tirou a própria vida.

Elane chegou a sair de casa ferida, pedindo ajuda. “Eu vi ela vindo, colocando a mão na barriga, tremendo, praticamente desfalecendo. A rua inteira tentou ajudar. Todo mundo foi solidário”, afirmou Daiane. A vítima foi levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo moradores, a família não apresentava histórico de brigas ou conflitos anteriores. “Nunca ouvi discussão naquela casa. Para nós, eles eram uma família normal. Foi uma surpresa muito grande”, disse a vizinha.

CASO

O caso aconteceu na noite de domingo (12), na Rua Ave do Paraíso, no bairro Jardim João de Barro. De acordo com informações da polícia, Elane foi esfaqueada dentro de casa pelo ex-marido. A vítima estava em processo de divórcio, mas os dois ainda moravam no mesmo imóvel. Na rua onde o crime aconteceu, a fachada da casa foi pichada com frases de protesto contra a violência de gênero, como “Até quando?” e “chega de crimes contra as mulheres.”

Somente em 2026, o Grande ABC registrou outros cinco casos de feminicídio. Além de Elane, em São Bernardo foram mortas as jovens Cibelle Monteiro Alves, 22, Sabrina Candido Pontes, 24, e Stefany Josepha Siqueira Lopes, 27. 

O primeiro feminicídio contabilizado neste ano na região foi de Cristiane Morais da Silva, 43, em Santo André, em 5 de fevereiro. No dia 18 do mesmo mês, Mariane Lima Alves, 27, foi assassinada a tiros em Diadema. Os acusados são os ex-companheiros.

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