Físico Especialista explica como o corpo utiliza energia, o que influencia o gasto calórico e por que a balança nem sempre responde como o esperado
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Você já teve a sensação de fazer tudo certo, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física e, ainda assim, o peso não diminuir? A dúvida sobre “metabolismo lento” está entre as mais buscadas por quem tenta emagrecer. Em meio ao avanço da obesidade global, compreender como o organismo funciona e quais fatores realmente impactam o acúmulo de gordura se tornou essencial.
De acordo com dados recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 2,3 bilhões de adultos estão acima do peso no mundo, sendo aproximadamente 700 milhões com obesidade. Nesse cenário, cresce o interesse por termos como metabolismo, gasto energético e adaptação metabólica, frequentemente associados, de forma simplificada, à dificuldade de perder peso.
O médico Edson Ramuth, fundador e CEO da rede Emagrecentro, referência em emagrecimento saudável e estética corporal, explica que o metabolismo vai muito além de uma ideia genérica. Trata-se do conjunto de reações bioquímicas responsáveis por manter funções vitais do organismo, como respiração, circulação e produção de energia.
“A taxa metabólica basal representa o consumo energético necessário para manter o organismo em funcionamento em repouso. Esse valor varia entre indivíduos e sofre influência de composição corporal, sexo e regulação hormonal”, explica.
Metabolismo lento é mito?
Apesar de popular, o conceito de metabolismo lento não é, segundo o especialista, o principal responsável pelo ganho de peso. O fator determinante continua sendo o equilíbrio entre ingestão e gasto calórico ao longo do tempo.
“Na prática clínica, observamos que o aumento de gordura corporal está mais relacionado ao desequilíbrio entre ingestão e gasto calórico ao longo do tempo. Essa variação existe entre indivíduos, mas não explica sozinha a dificuldade no emagrecimento”, afirma.
Outro ponto importante é a chamada adaptação metabólica, um mecanismo de defesa do corpo que pode interferir diretamente nos resultados de quem está tentando emagrecer.
“Após períodos de restrição calórica ou perda de peso significativa, o organismo reduz o consumo de energia como mecanismo de defesa. Esse fenômeno, conhecido como adaptação metabólica, dificulta a continuidade do emagrecimento e exige ajuste de estratégia”, complementa o Ramuth.
O que realmente influencia o metabolismo e o emagrecimento
O gasto energético diário é resultado de uma combinação de fatores biológicos e comportamentais. Entre os principais, está a quantidade de massa muscular, considerada um tecido metabolicamente ativo, que impacta diretamente o consumo de energia pelo corpo.
“A quantidade de massa muscular é um dos principais determinantes, já que se trata de um tecido metabolicamente ativo. Além disso, fatores genéticos e alterações hormonais, como disfunções da tireoide e resistência à insulina, interferem diretamente nesse equilíbrio”, explica o médico.
Além dos aspectos biológicos, o estilo de vida tem papel decisivo. Hábitos como alimentação inadequada, sedentarismo, privação de sono e altos níveis de estresse afetam a regulação hormonal e favorecem o acúmulo de gordura.
“Alimentação inadequada, sedentarismo, privação de sono e níveis elevados de estresse impactam a regulação hormonal e favorecem o acúmulo de gordura. O resultado é consequência da interação entre esses elementos ao longo do tempo”, completa.
Avaliação individualizada é essencial
Diante da complexidade do metabolismo e do emagrecimento, a orientação profissional se torna fundamental para resultados mais eficazes e sustentáveis.
“A avaliação clínica permite identificar alterações hormonais, metabólicas e comportamentais que interferem no ganho de peso. A partir disso, é possível estruturar uma estratégia individualizada, baseada em evidências científicas”, afirma.
O acompanhamento contínuo também é um diferencial importante no processo de perda de peso.
“O monitoramento ao longo do tempo permite ajustes mais precisos nas condutas e favorece resultados mais consistentes”, conclui.
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