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Alexandre Padilha: ‘Nossa prioridade são pessoas que aguardam cirurgia há muito tempo’

Marcela Vasconcelos
13/04/2026 | 08:05
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FOTO: Rafael Nascimento/MS
FOTO: Rafael Nascimento/MS Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, decidiu permanecer no cargo até o fim do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a pedido do presidente, com foco na reestruturação do sistema de saúde. A principal prioridade da Pasta é reduzir a fila por cirurgias, exames e consultas especializadas, agravada pela pandemia, com destaque para o programa Agora Tem Especialistas e a ampliação de parcerias com hospitais privados. O ministro também destacou ações no Grande ABC, como mutirões e ampliação do atendimento, além de medidas para elevar a cobertura vacinal e fortalecer a prevenção de doenças.

Nome: Alexandre Rocha Santos Padilha

Aniversário: 14/09

DGABC

Onde nasceu: São Paulo

Onde mora: São Paulo e Brasília

Formação: Médico Infectologista

Um lugar: Centro da Capital paulista 

Time do coração: Corinthians

Alguém que admira: Presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Um livro: Ulysses, James Joyce

Uma música: Eu tenho a Senha, João Gomes

Um filme: ABC Da Greve, Leon Hirszman, 1990

Por que decidiu não concorrer às eleições em outubro e seguir no Ministério da Saúde até o fim do governo Lula?

Sou deputado federal, eleito por São Paulo, tive muitos votos no Grande ABC. A decisão foi tomada pelo presidente Lula. Ele me perguntou se eu estaria disposto a ficar até o fim do governo. Nada me honra mais do que ajudá-lo a reestruturar nosso sistema de saúde, que viveu o verdadeiro apagão no governo anterior. Quando o presidente assumiu o cargo, em 2023, tínhamos menos de 80% de cobertura vacinal. Hoje voltamos a ter mais de 90%, estamos melhorando e precisamos crescer cada vez mais. Precisamos derrotar o negacionismo na área da saúde.

Qual a prioridade do Ministério da Saúde hoje?

Nossa prioridade é atender às pessoas que aguardam há muito tempo por uma cirurgia. A principal queixa da população é a demora na realização de cirurgias, exames e consultas com especialistas. Essa situação se agravou na pandemia. Houve represamento de cirurgias eletivas, que podem ser agendadas, e de cirurgias de emergência. Essa é a nossa prioridade absoluta e, é por isso, o programa Agora tem Especialistas. Mudamos a tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), isso faz com que o governo repasse um valor maior para contratar cirurgia e exame, garantindo recorde de cirurgias eletivas do SUS. Em 2025, foram 14,9 milhões de cirurgias eletivas, 42% a mais do que em 2022.

Como o programa Agora tem Especialistas está funcionando e quais os primeiros resultados no Grande ABC?

Em Mauá, em 30 dias, foi resolvido o represamento de pessoas do Grande ABC que esperavam por tomografia e ultrassom. As carretas atendem cirurgias de catarata e exames de vista. A ação que fizemos em São Bernardo foi muito importante para a saúde da mulher, que é uma prioridade absoluta. Discutiremos com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC para novas carretas em exames prevenidos, incluindo também cardiologia e cirurgias visuais. Faremos isso em outras modalidades para ampliar a presença de especialistas na região. Também estamos ampliando o atendimento hospitalar, mobilizamos hospitais privados para se adequarem ao programa. 

Como funciona a adesão de hospitais privados ao programa?

Essa norma foi assinada pelo presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva – PT) e aprovada pelo Congresso Nacional. Um hospital privado que tem uma dívida com a União pode trocá-la por cirurgias, exames e consultas especializadas para os pacientes do SUS. Uma dívida que nunca foi quitada, agora, se converte em cirurgias, exames e consultas especializadas. Também vamos fortalecer as construções que serão novas unidades com impacto em médio e longo prazos no atendimento, como por exemplo em Mauá, onde já começou a construção de uma policlínica com mais especialidades médicas, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Queremos levar isso para outras cidades da região, assim como renovar a frota do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). E todos os municípios têm pelo menos uma ambulância à disposição. Nosso compromisso é promover o atendimento na região do Grande ABC.

Por que a campanha de vacinação contra a gripe precisou ser antecipada este ano?

Iniciamos no início deste ano, justamente para quando o inverno chegar, todos que precisam ser vacinados já estejam imunizados. A vacina que temos aqui hoje, 100% brasileira, protege contra todos os tipos de vírus, idosos, gestantes, crianças de até 18 anos, pessoas com doenças crônica, como as cardíacas e pulmonares. Além disso, existe outra vacina importante, a contra a bronquiolite, destinada a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Ela protege o bebê que vai nascer, prevenindo complicações, a morte de recém-nascidos por problemas respiratórios e crianças de 1 ou 2 anos de idade. Já vacinamos 750 mil gestantes. Essa vacina, que custava de R$ 1.500 a R$ 2.000 em clínicas particulares, agora está disponível no SUS de graça. Nossa meta é conseguir garantir a vacinação a 1,8 milhão de mulheres por ano.

Há planos de aumentar a faixa de idade para vacinação contra o HPV (Papilomavírus Humano) no SUS com foco em mulheres adultas, como existe na rede privada?

Estamos seguindo as recomendações da OMS (Organização Mundial de Saúde) para o uso da vacina contra o HPV em programas de saúde pública, como forma de reduzir, na prática, o risco de câncer de útero e de ovário, ou seja, vacinar a partir dos 9 anos de idade até os 14 ou 15 anos. É muito importante se vacinar nessa fase, pois a prevenção pode ser prejudicada se ocorrer muito antes da primeira relação sexual, que ocorrerá mais tarde. A vacinação deve ser estendida até os 19 anos, pois muitos adolescentes e jovens adultos queriam se vacinar, mas não conseguiram durante a pandemia. Vamos atingir mais de 80% de cobertura vacinal para meninas e meninos. Hoje nossa cobertura vacinal é cinco vezes maior que a média mundial e queremos crescer cada vez mais, porque acredito que é possível eliminar esse câncer no Brasil. A vacina é em dose única. É preciso também reforçar junto às mulheres a nova tecnologia que temos como recurso para capturar o vírus HPV na prevenção do câncer de colo do útero, que substitui o papanicolau, em que a mulher costumava esperar semanas e até meses para receber o resultado. Com essa nova tecnologia, o resultado do exame é imediato e já estamos distribuindo essa tecnologia para todos os Estados e preparando os profissionais para o atendimento preventivo. 

Sobre prioridades no avanço da saúde, quais os eixos centrais que estão sendo expandidos hoje na saúde da mulher?

A saúde da mulher é prioridade absoluta do Ministério da Saúde e do governo do presidente Lula, porque são a maioria da população, representando 52% dos brasileiros. São elas que mais utilizam o sistema de saúde, seja para cuidar da própria saúde, ou como acompanhante do marido, filho, pai e mãe. São também a maioria dos trabalhadores na saúde. Mais de 80% dos profissionais de saúde são mulheres, mesmo na área médica, cenário dominado por homens. Portanto, é prioridade absoluta o controle do câncer de mama, garantir que as mulheres tenham o que há de mais moderno nos tratamentos e medicamentos. Temos ampliado a faixa de idade para mamografia, todo o escopo de combate ao câncer de colo do útero e a questão do climatério, tema cada vez mais importante no SUS.

Quais as razões levaram o Ministério da Saúde a unificar o CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) ao número do cartão do SUS?

Qualquer pessoa que precise de um serviço no SUS pode fornecer o número do seu CPF. A ideia é facilitar. Em segundo lugar, isso oferece um instrumento de gestão muito importante. Com o CPF é possível ter um melhor controle das despesas com saúde. Você pode cruzar os dados do CPF com outros que a pessoa possui, assim, é possível acompanhar melhor o que acontece. Em terceiro lugar, você pode cruzar os dados com outros registros públicos e informações do banco familiar, como o CadÚnico, por exemplo. É possível acompanhar melhor a chegada de alguns serviços de saúde à população mais vulnerável. Isso permite fazer estudos de interpretação mais precisos sobre o que está acontecendo em determinada região, com base na ideia de receber e poder entender melhor o impacto das políticas de saúde e outros problemas na vida das pessoas.

À frente do Ministério, o senhor faz campanhas informativas, com memes e trends para falar de saúde. Por que esse tipo de linguagem se tornou tão importante para atingir as pessoas nas redes sociais?

Sou médico infectologista, me especializei em doenças infecciosas e me dediquei ao combate da Aids. Por isso, sei da importância de comunicar ao paciente o tratamento, a terapia e os serviços que se propõe. Quando falamos de saúde pública, a comunicação torna-se ainda mais crucial. Infelizmente, pessoas que não têm respeito pela vida alheia, pelo sofrimento alheio, usam as redes sociais para espalhar mentiras e disseminar notícias falsas. Lembremos que o ex-presidente da República (Jair) Bolsonaro (PL) espalhou nas redes sociais informações falsas sobre vacinas, para questionar a conduta científica, inclusive com propaganda de remédios que não tinham eficácia. Portanto, as redes sociais são fundamentais hoje para proteger vidas e orientar as pessoas em relação à saúde. Como ministro da Saúde preciso fortalecer ainda mais esse papel e apoiar os médicos. Precisamos estudar as redes sociais, como conectar a população, como tornar a linguagem acessível, para que os jovens tenham acesso a ela, não apenas para aprender, mas também porque multiplicam esse conhecimento ao restante da família. Para mim, é fundamental e hoje em dia não há como pensar em produção científica e assistência médica sem antes fazer algo grandioso.




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