Potencial Grande ABC saltou de oito para 14 deputados entre 2018 e 2022, mas potencial ainda é baixo
Divulgação/Alesp

Com um eleitorado que supera 2 milhões de pessoas, o Grande ABC chega à eleição de outubro em ritmo de crescimento depois de registrar, em 2018, uma das mais baixas representatividades de sua história desde o fim dos anos 1990 na Câmara Federal e na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Entre aquele pleito e o de 2022, as sete cidades saltaram de oito para 14 representantes, crescimento de 75%, mas o espaço político local segue abaixo de seu potencial econômico e populacional, alerta especialista.
Conhecido por ser um dos principais polos econômicos do País, a região atingiu seus maiores auge há quatro anos, quando elegeu 10 deputados estaduais e outros quatro federais. Considerando o intervalo entre 1998 e 2022, a média de representação regional é de 11,5 deputados por pleito, o que evidencia que, embora mantenha relevância, a região encontra dificuldades para sustentar influência constante na representação política.
Para a Alesp, em 2022, foram eleitos Ana Carolina Serra (PSDB), Atila Jacomussi (PRD), Altair Moraes (Republicanos), Carla Morando (PSD), Ediane Maria (Psol), Luiz Fernando Teixeira (PT), Oseias de Madureira (PL), Rômulo Fernandes, Teonilio Barba (ambos do PT) e Thiago Auricchio (PL). Para Brasília subiram Alex Manente (Cidadania), Luiz Marinho (PT) – hoje ministro do Trabalho e Emprego –, Marcelo Lima (Podemos) – atual prefeito de São Bernardo –, e Fernando Marangoni (Podemos).
Mesmo com a evolução mais recente, a quantidade de parlamentares eleitos revela um histórico movimento de oscilação, visto que, em 1998 foram nove deputados com domicílio eleitoral no território. Já em 2002, a bancada regional saltou para 15. Em 2006 e 2010 estabilizou-se em 12, número que retrocedeu a dez em 2014. Quatro anos depois, houve a maior queda, quando o total de legisladores encolheu 47% comparado a 2002.
Para Tunico Vieira, professor de Direito da Universidade Metodista de São Paulo e ex-vereador de São Bernardo, o cenário atual reflete o fortalecimento da região por meio da reorganização institucional interna. “Vejo que o Grande ABC vem se fortalecendo em relação à quantidade de deputados eleitos”, avalia o docente.
Apesar do otimismo recente, a série histórica mostra que o crescimento não segue uma trajetória linear. Um dos fatores que explicam essa dinâmica é o comportamento do eleitorado. A região, que apresentava forte identidade local, passou a conviver com maior dispersão de votos para candidatos de fora. Segundo Vieira, nomes com projeção nacional conseguem votações expressivas nas sete cidades mesmo sem ligação direta com o Grande ABC.
Entretanto, o docente relativiza que um volume maior de parlamentares seja determinante para o aporte de recursos. “Nem sempre eleger representantes locais significa mais verbas, pois as emendas são distribuídas por afinidade política”, afirma.
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