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Grande ABC adere ao Cidades Antirracistas e anuncia pacto antifeminicídio

Iniciativa da vice-prefeita de Rio Grande da Serra, Vilma Marcelino, a proposta objetiva a união dos municípios do Grande ABC em torno de um compromisso comum: enfrentar o racismo em suas diferentes dimensões

07/04/2026 | 11:57
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FOTO: Felipe Delmondes
FOTO: Felipe Delmondes Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Atualizada às 23h18

As sete cidades do Grande ABC formalizaram, ontem, a adesão ao projeto Cidades Antirracistas do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), em evento realizado no Consórcio Intermunicipal. A iniciativa tem como objetivo incentivar os municípios a adotarem políticas públicas estruturais voltadas ao combate do racismo e à promoção da igualdade racial. 

Além da adesão ao projeto, que deu origem ao do Pacto Regional Antirracismo, prefeitos e representantes dos Executivos anunciaram, para maio, um acordo de enfrentamento ao feminicídio no âmbito do Consórcio. A iniciativa busca ampliar a cooperação entre as cidades na formulação de políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e ao combate à violência de gênero.

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A articulação regional antirracismo partiu de uma iniciativa da vice-prefeita de Rio Grande da Serra, Vilma Marcelino (PSDB). A proposta é unir os municípios do Grande ABC em torno de um compromisso comum: enfrentar o racismo em suas diferentes dimensões, estrutural, institucional, ambiental, recreativa, religiosa e intersubjetiva. A avaliação dos participantes é de que se trata de um desafio histórico que exige ações contínuas, articuladas e efetivas.

Entre os compromissos assumidos pelas cidades estão a criação e o fortalecimento dos Conselhos Municipais de Promoção da Igualdade Racial, a estruturação de órgãos ou secretarias dedicadas ao tema e a elaboração de planos municipais com ampla participação da sociedade civil, visando avanços concretos em direção à equidade e à justiça social. 

Durante o evento, Vilma Marcelino destacou o simbolismo e a responsabilidade do momento. “Não é apenas uma assinatura. É um compromisso de que as sete cidades se tornem, de verdade, antirracistas. Por estar assumindo um lugar de decisão como uma mulher preta, senti também a responsabilidade dessa representatividade. Que o Grande ABC possa construir uma região de unidade, de respeito mútuo, e que as pessoas sejam respeitadas e não julgadas pela sua cor, pela sua raça, mas que sejam de verdade acolhidas”, afirmou a vice-prefeita. 

A promotora de Justiça do MP-SP Sirleni Fernandes da Silva destacou que mais do que reagir ao racismo, é necessário promover a justiça racial no País. “Vivemos em uma sociedade estruturalmente racista. Me parece que agora superamos o mito da democracia racial e, superado, precisamos agora promover a igualdade. O que o Cidades Antirracistas está propondo e os municípios estão aceitando e dizendo é ‘reconheço que esse é um problema e a minha administração vai ter atuação nessa área’”, pontuou Sirleni. 

De acordo com a promotora, o movimento negro é essencial para que políticas públicas antirracistas avancem. “Tem uma sociedade civil está disposta a pensar essas políticas para que sejam de qualidade”, complementou . 

O presidente do colegiado e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), destacou o caráter coletivo e estratégico da iniciativa. “O enfrentamento ao racismo exige ação concreta, articulação regional e compromisso permanente. O Grande ABC, mais uma vez, se coloca na vanguarda ao transformar discurso em prática”, disse. 

O prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), reforçou o papel dos gestores públicos na construção de uma sociedade mais justa. “Trata-se de garantir direitos, ampliar oportunidades e enfrentar desigualdades históricas com políticas públicas efetivas.”

Também participaram do evento os vice-prefeitos de Santo André, Silvana Medeiros (Avante); de Mauá, João Veríssimo (PSD); e de São Caetano, Regina Maura Zetone (PSD), entre outras autoridades. 

Prefeitos discutem em assembleia reconversão industrial da região

Os prefeitos do Grande ABC debateram, ontem, durante assembleia no Consórcio Intermunicipal, o desenvolvimento do PRI-ABC (Programa de Reconversão Industrial), que será desenvolvido ao longo de quatro anos e reúne pesquisadores da UFABC, representantes do poder público regional e outros atores institucionais para contribuir com a formulação e implementação de estratégias de desenvolvimento produtivo para o Grande ABC.A expectativa com o projeto é estimular a inovação tecnológica, emprego, renda e ampliar a eficiência econômica, elevando a atividade econômica e reduzindo a ociosidade da indústria do Grande ABC. 

O presidente do Consórcio Intermunicipal e prefeito de Ribeirão Pires, Guto Volpi (PL), afirmou que será realizada reunião no campus São Bernardo da UFABC com os secretários de Desenvolvimento Econômico e de Meio Ambiente das sete cidades para integrar esses departamentos com o estudo. 

“É bem recente (a iniciativa), desde que o dinheiro chegou na universidade para fazer isso. Faz um senso de como está o nosso parque industrial regional e a nossa capacidade de reconverter, de transformar e de inovar”, afirmou.

Guto também ressaltou o alcance estratégico da proposta, inclusive em cenários de crise. “Quando você fala de reconversão, é no momento de uma crise global, você ter a capacidade do parque industrial de se adaptar, o que dialoga até com a soberania nacional”, disse. 

Para o liberal, o trabalho conjunto ao longo de quatro anos deve gerar resultados duradouros. “São quatro anos de muito trabalho junto com a universidade, que vai transcender gestões. Os prefeitos ainda têm mais dois anos e meio pela frente. Então, vai ser muito importante”, concluiu.

Colaborou Felipe Delmondes, especial para o Diário.

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