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Cheiro tóxico prejudica 800 famílias em São Bernardo há seis anos

Resíduos químicos de empresas causam problemas de saúde nos moradores

07/04/2026 | 07:00
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FOTO: Celso Luiz/DGABC
FOTO: Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Moradores da Rua Venceslau Pereira de Sousa, no bairro Cooperativa, em São Bernardo, convivem há seis anos com o forte cheiro de produtos químicos lançados por indústrias em um córrego próximo aos condomínios residenciais, que abrigam cerca de 800 famílias. No último fim de semana, o odor se intensificou devido ao descarte irregular de acrilato, substância usada na produção de solventes.

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) foi acionada e confirmou o incidente, classificado como vazamento, embora moradores questionem se houve intenção, já que situações semelhantes têm ocorrido com frequência. Segundo os denunciantes, a empresa em questão é a fabricante de solventes Cloroetil, localizada na Estrada Fukutaro Yida, número 1.310. 

A assessora parlamentar Elizangela Marques, 41 anos, disse que as empresas da região despejam produtos químicos com frequência no córrego desde 2020. “Sempre que há alguma chuva, principalmente no fim de semana, despejam um produto químico. Porém, dessa vez não choveu o suficiente para o rio correr com esse produto. Acredito que a empresa age de má fé porque sabe que as denúncias que fizemos anteriormente não repercutiram, só funcionam de segunda a sexta-feira”, justificou. 

DGABC

A auxiliar administrativa Danielle Dantas de Oliveira, 25, está grávida de cinco meses e disse que a situação ocorreu outras vezes, mas desta vez o cheiro foi mais forte. “Foi absurdamente insuportável respirar o ar, estava sufocante. Tive que fechar as janelas e precisei tomar antialérgico. Senti meu nariz ardendo, a garganta querendo fechar e, quando meu marido precisou ir ao banheiro, voltou sufocado. Neste momento, tivemos que deixar o apartamento às pressas e ficar na casa dos meus pais em outro bairro”, denunciou a moradora.

A dona de casa Maria das Dores Gomes, 56, é alérgica a produtos químicos e relatou os sintomas. “Senti dor de cabeça, espirro, vômito, dor e inchaço na barriga. Meu problema é sério, não posso continuar com esse cheiro. O odor fica a noite inteira e dessa vez foi mais forte”, contou Maria. 

A Cetesb informou que esteve sábado (4) no local com a Defesa Civil, e que permaneceu monitorando a situação nesta segunda-feira (6). A companhia exigiu o fechamento imediato dos sistemas de drenagem da unidade para impedir novos escoamentos e também determinou a lavagem das galerias e o recolhimento do resíduo remanescente com caminhão de sucção a vácuo. O vazamento estaria estancado até a noite de ontem.

A indústria deverá despejar 20 mil litros de água no córrego para diluir a substância e reduzir o incômodo à população. A Cetesb disse que vai emitir um auto de infração com a exigência de melhorias nas instalações da planta industrial. Também serão adotadas medidas legais cabíveis. 

Em relação às reclamações sobre despejo irregular que se arrastam há seis anos, a Cetesb não respondeu aos questionamentos. A reportagem também não conseguiu contato com a indústria responsável pelo vazamento.




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