Economia Titulo Sistema previdenciário

Sem ter planejamento e disciplina, aposentadoria se torna um desafio

Com redução nos ganhos, os trabalhadores têm de seguir na ativa para equilibrar a renda

Caio Prates
do Portal Previdência Total
06/04/2026 | 08:20
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As recentes mudanças no sistema previdenciário brasileiro têm servido como alerta para os trabalhadores sobre a importância do planejamento financeiro de longo prazo para alcançar o sonhado descanso. Na visão de especialistas em Direito Previdenciário, o brasileiro, em geral, ainda não cultiva o hábito de se preparar para a aposentadoria e isso pode custar caro na velhice.

Entre os principais problemas enfrentados pelos aposentados e pensionistas estão a necessidade de continuar trabalhando para complementar a renda, a queda no padrão de vida e até dificuldades em manter gastos básicos com alimentação e saúde. “Nossos idosos vivem mais, mas as aposentadorias do regime público não acompanham esse novo cenário. Para manter uma vida digna, é necessário complementar a renda”, alerta o advogado Celso Joaquim Jorgetti, da Advocacia Jorgetti.

O especialista alerta que a cultura do planejamento é praticamente inexistente no País. Muitos brasileiros admitem não guardar dinheiro para o futuro, seja por falta de recursos no fim do mês, seja por descrença de que a poupança valha a pena.

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Além disso, o próprio acesso à aposentadoria pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) tem se tornado um desafio crescente. A complexidade das regras, as frequentes mudanças legislativas e a necessidade de comprovação detalhada do tempo de contribuição acabam gerando insegurança e dificuldades para o trabalhador. Erros em cadastros, vínculos não reconhecidos e períodos sem contribuição formal são obstáculos comuns que podem atrasar ou até impedir a concessão do benefício.

Outro entrave relevante, segundo o advogado Ruslan Stuchi, é o tempo de análise dos pedidos e a judicialização de muitos casos. “Não raramente, segurados precisam recorrer à Justiça para garantir direitos básicos, o que prolonga ainda mais o processo e aumenta a sensação de incerteza. Para trabalhadores informais ou com histórico contributivo irregular, a situação é ainda mais delicada, exigindo planejamento antecipado e, muitas vezes, orientação especializada”, orienta.

A instabilidade econômica e o desemprego também são obstáculos ao planejamento. Mesmo quem tenta poupar pode ser forçado a interromper esse esforço diante de emergências financeiras. “Além da perda do poder de compra dos benefícios, muitos aposentados acabam prorrogando a saída definitiva do mercado de trabalho. Com um bom planejamento, seria possível escolher o melhor momento de se aposentar e adequar o modo de vida”, destaca o advogado Thiago Luchin, especialista em planejamento previdenciário do escritório Aith, Badari e Luchin.

Para Luchin, o primeiro passo é garantir o melhor benefício possível junto ao INSS. Depois, o ideal é buscar uma aposentadoria complementar e investir em reservas financeiras, como imóveis e aplicações de longo prazo.

Os especialistas ressaltam que as regras atuais para aposentadoria no Brasil, em vigor desde a Reforma da Previdência, preveem diferentes modalidades conforme o perfil do trabalhador. Para se aposentar por idade, mulheres precisam ter no mínimo 62 anos, enquanto os homens devem ter 65 anos. 

Há ainda as regras de transição com pedágios: o de 50%, para quem estava a até dois anos da aposentadoria em 2019, e o de 100%, que exige o dobro do tempo faltante à época da reforma. 

Professores têm regras específicas, com exigência de idade e tempo reduzidos. O cálculo do benefício parte da média de todas as contribuições desde 1994, com acréscimos a partir de 60%, conforme o tempo adicional de contribuição.

Previdência privada pode ser um complemento

A preocupação com o futuro ainda é pequena durante a vida profissional, na visão do advogado Ruslan Stuchi. “No Brasil, as pessoas só pensam na aposentadoria quando param de trabalhar e aí percebem que o valor é insuficiente. Por isso, muitos idosos voltam ao mercado, porque os gastos aumentam, especialmente com saúde.”

Stuchi destaca que é importante um planejamento de longo prazo. “Quanto mais cedo começar, melhor. O dinheiro no tempo vale mais, e qualquer tipo de planejamento com antecedência gera resultados mais consistentes. O trabalhador também precisa estar atento a todas as mudanças nas regras da Previdência e às oportunidades para construir uma aposentadoria mais tranquila”, alerta.

O advogado Celso Joaquim Jorgetti recomenda que o hábito de guardar ao menos 10% da renda mensal seja incorporado o quanto antes. A combinação entre o benefício do INSS e uma reserva própria pode garantir estabilidade. “Quanto mais tempo o trabalhador tiver para contribuir, menor será o valor mensal que precisará poupar”, ressalta.

Para os especialistas, a previdência privada é um bom complemento, mas não um substituto. “Ela deve funcionar junto à previdência pública. Se a aposentadoria do INSS for suficiente, talvez não seja necessário buscar a privada. Mas, na maioria dos casos, ela ajuda a fechar as contas”, frisa Stuchi.

Entre os cuidados, está o comprometimento com o próprio futuro. “A diversificação é o ponto forte do investidor moderno. O segredo está em estudar, buscar conhecimento e distribuir os recursos entre renda fixa e variável, sempre com foco em estabilidade e rendimento. Entretanto, não adianta iniciar um plano e sacar para fazer uma viagem: o planejamento vai por água abaixo”, conclui Jorgetti.




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