Palavra do Leitor

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Endividamento no País
‘Número de dívidas na região aumenta 80% em cinco anos’ (www.dgabc.com.br). Parece piada, mas infelizmente não é. O governo anunciou que vai ensinar o brasileiro a controlar suas despesas. O endividamento das famílias brasileiras chegou a 80,2% em fevereiro, índice nunca antes visto na história deste país. “L” pediu ao ministro da Fazenda que estude e faça uma campanha pedagógica de educação financeira para orientar os brasileiros a controlarem seus gastos. Mas será que um governo que não consegue controlar as próprias contas pode ensinar alguém a fazê-lo? Está em estudo a criação de mais uma estatal para cuidar das terras raras. Criar uma empresa pública quando não se consegue sequer acertar as contas dos Correios soa como contradição. De 2020 para cá, a renda do brasileiro subiu 33%, enquanto os preços avançaram 39%. Ou seja, estamos mais pobres hoje do que há seis anos. Os gastos públicos cresceram, em média, 6% ao ano (em termos reais) desde o Plano Real. Nossa taxa de juros só perde para a da Rússia, em guerra há quatro anos, reflexo direto do descontrole das contas públicas. Os três poderes da República estão entre os mais caros do planeta e entregam serviços de péssima qualidade. Aumentar impostos quando falta dinheiro é fácil; já os brasileiros recorrem ao rotativo do cartão de crédito – a pior forma de financiamento – e acabam presos em um ciclo de dívidas cada vez mais difícil de romper.
Mauri Fontes - Santo André
Polarização política
‘Análise do colunista’ (Palavra do Leitor, dia 31) e ‘Popularidade em queda: o esgotamento de um modelo’ (Mais gestão, menos polarização, dia 29). Contra fatos não existem argumentos. O excesso de populismo tem começo, meio e fim. O missivista Roberto Saraiva Romera, juntamente com o senhor Paulo Serra, em sua coluna, estão cobertos de razão. É preciso parar com esta polarização urgentemente, pois ela não leva o Brasil a lugar nenhum. Tudo cansa. O Brasil precisa começar a se pacificar o mais breve possível. Alguns políticos precisam deixar a causa própria de lado e ver o lado de quem os elegeu. Já olhando para os filhos, netos e bisnetos desses eleitores que confiaram no voto da esperança.
João Camargo - Capital
Ministro e Vorcaro
A notícia envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e voos em aeronaves ligadas ao empresário Daniel Vorcaro expõe um problema recorrente: versões que não se encontram. De um lado, a negativa categórica. De outro, registros dos voos. Não cabe afirmar irregularidades. Mas o desconforto é inevitável. Quando autoridades aparecem associadas a investigados, o mínimo esperado é transparência. O problema é quando a palavra de quem decide parece encerrar o assunto. Democracia não se sustenta em versões definitivas, mas na possibilidade de questionar. Quando isso incomoda, o silêncio deixa de ser prudência.
Luciana Lins - Campinas (SP)
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