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Grande ABC registra por mês 25 nascimentos de múltiplos bebês

Em 2025, foram 307 crianças de gestações simultânea na região; volume representou 1,2% do total de partos

05/04/2026 | 07:59
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FOTO: Nario Barbosa/DGABC
FOTO: Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou, em 2025, média mensal de 25 partos com dois ou mais bebês. Dados da Arpen-SP (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo) apontam que, ao longo do ano, foram contabilizadas 307 nascimentos desse tipo na região. O total de crianças nascidas em 2024 foi de 302.

São Bernardo e Santo André lideraram os registros em 2025, com 131 e 83 ocorrências, respectivamente. Na sequência aparece Diadema, com 38. São Caetano e Mauá tiveram o mesmo total, de 21 cada. Já Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra contabilizaram nove e quatro casos no período. 

A formação de gêmeos ocorre, basicamente, de duas maneiras. A forma dizigótica acontece quando dois óvulos são fecundados por espermatozoides distintos, resultando em bebês diferentes entre si, que podem inclusive ser de sexos distintos, como explica o médico geneticista Carlos Aschoff.

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Já a formação monozigóti-ca ocorre quando um espermatozoide se une a um único óvulo, e em determinado momento ocorre uma divisão dos embriões (estágio inicial do desenvolvimento do ser).

“Na gemelaridade dizigóti-ca, existem alguns fatores genéticos envolvidos, embora a associação ainda não seja forte e demande mais estudos. A presença de histórico familiar, como mãe ou irmãs com gestações múltiplas, pode aumentar o risco para outras mulheres da família. Já nas gestações monozigóticas, fatores epigenéticos ligados à regulação dos genes podem estar relacionados à ocorrência, além da possibilidade de ser um evento ao acaso”, explicou o médico.

Ainda de acordo com o geneticista, esse tipo de gravidez é considerado de alto risco e o parto pode ser cesariana ou normal, dependendo dos fatores ao longo da gestação. “As gestantes necessitam de consultas pré-natais mais frequentes, apresentam risco aumentado para restrição de crescimento intrauterino de algum dos fetos ou de ambos, apresentam risco aumentado para complicações maternas também, entre outras condições”, comentou Aschoff.

DESAFIOS

Descobrir que se será mãe ou pai de múltiplos pode ser surpreendente, já que a maioria das pessoas espera apenas um bebê. Os números também refletem essa raridade: segundo dados da Arpen-SP e do Portal da Transparência do Registro Civil, o Grande ABC registrou 24.374 nascimentos em 2025.

Dessa forma, os partos múltiplos representaram 1,2% do total. Essa surpresa foi vivida pela atendente e moradora de São Bernardo, Mirelhem Silva Santos, 32 anos, e pelo marido, também atendente, Cristiano Novaes Oliveira, 32, que se tornaram pais não de dois, mas de três filhos: os trigêmeos Laura, Livia e Nicolas, nascidos em janeiro deste ano.“Iria fazer uma laqueadura no ano passado, mas desistimos e decidimos tentar engravidar. Primeiro descobrimos que seriam gêmeos, e depois veio mais um. Dois já nos deixaram assustados, imagina três. Mas é uma verdadeira bênção”, contou Mirelhem, que também é mãe dos estudantes David Santos, 15, e Luiz Henrique Santos, 10.

Apesar de ser muito esperada, a atendente comentou que a gestação não foi fácil. “A barriga ficou muito grande. Me encaminharam ao Hospital da Mulher (de São Bernardo), por ser gravidez de alto risco. Foi maravilhoso o atendimento, a cada 15 dias passava por especialista. Com 29 semanas, fui para o hospital por conta de um sangramento e fiquei em observação”, afirmou.Com 30 semanas e três dias de gestação, os médicos optaram por realizar o parto por cesariana. Por serem prematuros, os trigêmeos precisaram permanecer 19 dias internados na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“No dia 23 de março, viemos para casa. Está sendo tudo novo. Bem desafiador cuidar de três ao mesmo tempo. Não dá para dormir, porque quando um dorme, o outro acorda, e quando os três choram para mamar, é difícil. Mas tudo muito bom também, só de tê-los já é uma bênção. Filhos são amor, carinho e minha vida”, concluiu Mirelhem.

CUIDADOS

O professor de saúde sexual, reprodutiva e genética do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Caio Parente Barbosa, alertou que o pré-natal e a pós-gestação devem ter um cuidado maior. “Pode haver uma incidência maior de diabetes gestacional e hipertensão. Tem que tomar alguns cuidados, como usar corticoide para haver amadurecimento do pulmão antes da hora, tendo menos chance de complicação para o bebê”, disse.

Segundo Barbosa, a gestação gemelar tende a aumentar por conta das técnicas de fertilização in vitro, embora a ocorrência de nascimentos de gêmeos ainda seja de apenas um para cada 80 partos.

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