Violência doméstica Adolescente de 13 anos reagiu durante os ataques e acionou a polícia em Santo André
FOTO: Celso Luiz/DGABC

A jornalista e radialista Sonia Nogueira, 42 anos, relata que só sobreviveu às agressões do então companheiro, Ricardo Azevedo da Silva, 54, major da reserva da PM (Polícia Militar), por causa da intervenção da filha de 13 anos. De acordo com o BO (Boletim de Ocorrência), policiais militares foram acionados para atender uma denúncia de violência doméstica na Rua Oliveira Coutinho. No local, a vítima relatou ter sido agredida por Silva, preso em flagrante no dia 28 de março, na Vila Scarpelli, em Santo André, e liberado no dia seguinte após audiência de custódia.
A vítima contou que a relação com o agressor já vinha mudando dias antes. “Ele estava com comportamentos estranhos ao longo da semana. Eu tentava conversar, entender, mas só foi piorando”, disse.
Segundo o registro policial, a discussão começou após o homem ofender a enteada. Ao confrontá-lo, Sonia se tornou alvo de xingamentos e ameaças. “Ele falava palavras que jamais deveriam ser ditas para ninguém, atingindo minha imagem como profissional, como mulher e envolvendo outras pessoas ao redor”, afirmou.
No dia da ocorrência, após a discussão em casa, a situação escalou para violência física. “Ele veio para me estrangular, dizendo que ia me matar. Não acreditava que aquilo estava acontecendo”, relatou. Segundo Sonia, a agressão só foi interrompida quando a filha interveio. “Ela veio correndo e falou: ‘Larga minha mãe’. Foi nesse momento que o Ricardo parou”, disse.
A adolescente, então, tomou a iniciativa de acionar a polícia. “Ela falou: ‘Se você não ligar, eu ligo’. Em seguida, foram para o quarto, trancaram a porta e tentaram descobrir como sair daquela situação.”
A jornalista acredita que não sobreviveria sem a intervenção da filha. “Se ela não estivesse ali, eu não teria nem chance de pensar em ligar para a polícia. Não estaria mais aqui. Só não morri pelo heroísmo da minha filha”, afirmou.
CHOQUE DE REALIDADE
Após o episódio, Sonia foi à delegacia e, posteriormente, ao IML (Instituto Médico Legal), onde recebeu a confirmação das agressões. “Ainda não estava acreditando. Quando o profissional olhou meu pescoço e disse que havia marcas de estrangulamento, foi um choque de realidade”, disse.
“É devastador. Destrói sonhos, destrói uma vida”, relatou sobre os impactos emocionais da violência doméstica.
A vítima ressaltou que já havia presenciado comportamentos agressivos anteriormente. “Não foi um episódio isolado. Outras situações já ocorreram, e eu tentava acompanhar e compreender, mas jamais imaginei que chegaria a esse ponto.”
Sonia também fez um alerta para outras mulheres na mesma situação. “Muitas vezes o silêncio não é aceitação, é uma tentativa de dar tempo para a pessoa refletir. Mas isso pode ser um risco. Pode ir se estendendo até perder o controle”, afirmou.
EM LIBERDADE Em depoimento formal, Ricardo Azevedo da Silva negou as acusações. Ele afirmou que houve apenas uma discussão entre o casal e que não praticou agressões e classificou as denúncias como invenções. O TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) informou que concedeu liberdade provisória ao indiciado, mediante o cumprimento de medidas cautelares. Apesar da medida protetiva e monitoramento, Sonia questiona as decisões judiciais que permitem liberdade nos casos de violência contra a mulher.” É necessário observar a gravidade do que está ocorrendo, estamos vulneráveis a todo momento”, lamentou. Ela defende que o major seja responsabilizado pelos atos: ‘Fez, tem que assumir e arcar com as consequências. Não importa a patente. Se errou, precisa assumir e arcar com as consequências”, concluiu. A defesa do major aposentado não foi localizada para comentar o caso. LEIA MAIS:
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