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Sofrimentos de Cristo

Bispo Dom Pedro Cipollini
02/04/2026 | 09:09
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Estamos na Semana Santa, nela a Igreja comemora a Paixão, morte e ressurreição de Jesus. O convite vai no sentido de, primeiramente, contemplar Jesus Crucificado. Ele encarna o sofrimento humano no seu grau mais agudo. Por outro lado, a partir daí, somos convidados a refletir no sofrimento que se instala na nossa realidade social. Olhando ao redor nos defrontamos com tanta dor e sofrimento que atingem a população de várias formas. Os rostos sofridos aparecem de várias maneiras em uma sociedade na qual os pobres são “descartáveis”.

Nem toda dor tem a mesma causa. São tantas as causas: ódio, exploração, vingança, doença, velhice, desastres, engano, ignorância, desespero, injustiça, a dor que nasce de um grande amor etc., nunca acabaríamos de enumerá-las. Todos os dias se pode ver, nas transmissões ao vivo nas mídias, as dores do mundo, de forma mais dramática, relatos de zonas de guerra onde o sofrimento é terrível. Então surge a pergunta pelo sentido de tanto sofrimento. 

Existem muitas explicações que apontam causas econômicas, sociais, políticas, culturais e religiosas. Elas devem ser feitas, ajudam a compreender muito dos motivos de tanta dor. Porém não bastam. As explicações se perdem quando nos deparamos com o sofrimento do inocente, com o justo que sofre. 

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É aí que a Palavra de Deus, contida na Bíblia indica a figura do Servo de Javé. O profeta Isaías nos cânticos do Servo, aponta para o sofrimento do Servo mergulhado na dor e amargura, a ponto de não mais ter aparência de gente, no entanto, ele será vitorioso (Is 52,13-15). Em Jesus que sofre, podemos ter uma luz para iluminar o sofrimento um humano, em especial do inocente, e dar-lhe um sentido.

A Igreja nascente vai encontrar, nesta figura do Servo Sofredor, a explicação para a paixão e morte de Jesus. As profecias do Servo de Javé foram interpretadas pela Igreja nascente aplicadas a Jesus Servo, visto no Apocalipse como o Cordeiro de Deus, degolado, mas de pé, pois está vivo: ressuscitou! Só um Deus que sofre com o ser humano pode ser confiável.

O sofrimento de Jesus na Cruz está unido ao sofrimento de milhares de inocentes mergulhados na dor, que sabem serem vítimas da maldade, mas que não fazem o mal, são machucados, mas não machucam. Vivem do perdão e abandono nas mãos de Deus. Este sofrimento tem um poder redentor, tem um sentido misterioso e revolucionário. O sofrimento de Jesus na cruz é um sofrimento solidário: por suas feridas fomos curados. Deu sua vida em defesa da justiça que sempre pregou, carregou os males da humanidade sobre si. Sem ódio ou revolta. Por isso venceu, pois a última palavra é da vida e não da morte.

A Semana Santa nos convida a refletir sobre o sofrimento solidário de Jesus Cristo. Ele nos questiona com seu abandono ao Pai e o perdão que deu a seus torturadores. A razão fica devendo uma explicação para isso. Coisas que a cabeça não explica, mas o povo sofredor entende e pratica como Jesus o fez, e assim redimiu o mundo. Só o amor solidário soluciona o problema do sofrimento humano. Seu horizonte é aluz da Páscoa.

Feliz Páscoa a todos!

Dom Pedro Carlos Cipollini é bispo diocesano de Santo André.




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