Entrevista Presidente nacional do PSD deixou a Secretaria de Estado de Governo e Relações Institucionais de São Paulo para tocar a missão de tornar Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás
FOTO: Nario Barbosa

Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab deixou a Secretaria de Estado de Governo e Relações Institucionais de São Paulo para tocar a missão de tornar Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, candidato capaz de romper a polarização entre petismo e bolsonarismo na disputa pela Presidência, em outubro. “É uma alternativa nem à direita nem à esquerda”, diz. Em entrevista exclusiva ao Diário, antes da cerimônia em que filiou a deputada estadual Carla Morando, egressa do tucanato, ele também falou do recente desentendimento público com o presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, que atribuiu à “mágoa”. Leia os principais trechos da conversa:
O sr. reforçou o PSD para as eleições de outubro. Qual é a expectativa do partido na Assembleia Legislativa?
O PSD é um partido considerado novo. Temos expectativa muito positiva em relação à eleição de um número bastante elevado de deputados estaduais. A Carla Morando estará entre as mais votadas. Entendo que dificilmente teremos menos de 15 deputados estaduais eleitos, mas o número poderá surpreender e poderá ser até maior que esse.
O sr. tinha pretensão de manter um nome do partido à vice na chapa de Tarcísio de Freitas à reeleição, mas acabou perdendo-a para o MDB. Como é que está a relação com o governador?
A relação com o governador é extraordinária. O PSD nunca teve a pretensão de continuar na vice. Em todos os momentos dissemos que caberia ao governador estruturar a chapa – a que entendesse que fosse a mais adequada teria nosso apoio. Em relação ao vice-governador Felicio (Ramuth), nós pedimos ao governador que conversasse com o Felicio e que ponderasse que ele saísse do partido. Se ele entendesse que o Felicio era uma pessoa adequada, que seria mais confortável para nós que ele estivesse feliz em outro partido.
E o caminho do sr., especificamente, qual vai ser?
Tenho uma vida muito feliz. Tenho a alegria de, depois de quase 40 anos de vida pública, ter sido vereador, deputado estadual, duas vezes deputado federal e, no Executivo, secretário de Planejamento na cidade de São Paulo, secretário estadual, ministro de Ciência e Tecnologia, das Cidades e de Comunicações. Sinto-me realizado. Hoje, o projeto a que me dedico é o de estruturar um partido que procura se apresentar como um partido de solo fértil, de chão limpo, para que possamos emprestar o nosso trabalho para o desenvolvimento do Brasil. Essa é a minha missão, é a razão do meu afastamento da Secretaria, combinado com o Tarcísio.
A propósito, o PSD vai com Ronaldo Caiado à Presidência, mas a ideia era lançar o governador Ratinho Junior...
Não! A ideia principal do partido era apoiar a candidatura do governador Tarcísio. Sempre entendemos que o Tarcísio era o nome mais adequado, pelo que fez como ministro e governador, pelos números nas pesquisas, por sua liderança em São Paulo e no Brasil. Temos dentro do partido três grandes quadros da política brasileira, três governadores muito bem avaliados.Quando ficou inviabilizada a candidatura do Tarcísio, por decisão dele, o PSD começou a avaliar esses três homens. Algumas semanas atrás, o Ratinho declinou. Diante da desistência, sobraram o Caiado e o Eduardo Leite. O partido acabou, não por exclusão, porque os dois são extraordinários, optando pelo Caiado. O Caiado é muito bem preparado, dispensa apresentações. É honesto. Com essa onda de denúncias, infelizmente muitas delas com fundamento, uma pessoa que, depois de ser cinco vezes deputado federal, senador, duas vezes governador, deixando o governo do Estado com 88% de aprovação e a marca de honesto, eficiente e trabalhador, é um candidato que merece o nosso apoio.
O Caiado se apresenta como terceira via, mas a identificação com as pautas da direita e também o recente aceno que fez ao bolsonarismo, dizendo que seu primeiro ato seria a anistia ao ex-presidente, passam a impressão de candidatura auxiliar do Flávio...
Em primeiro lugar, ele não é uma terceira via, é uma alternativa. No momento em que todas as pesquisas, ou quase todas, apontam que 43% dos brasileiros não querem nem Lula nem Bolsonaro, é importante ter uma alternativa. E o Caiado não é uma alternativa nem à direita nem à esquerda. É uma alternativa para os brasileiros que entendem que nas últimas décadas grandes desafios não foram enfrentados. O primeiro: combate à corrupção. Alguém tem dúvida de que existe muita corrupção no Brasil? Pois bem, os dois já estiveram à frente de governos, Bolsonaro e o PT, e não enfrentaram a corrupção. Então o PSD apresenta o Caiado como alternativa. Não estamos aqui xingando o Lula, xingando o Bolsonaro. Não queremos entrar nessa briga, nesse clima de ódio. Queremos mostrar que esses dois grupos não deram as respostas que o Brasil precisa.
Vamos voltar um pouco na questão do Eduardo Leite. Parece que ele não ficou tão feliz com a indicação do Caiado...
Se me permitir, porque é muito importante, posso ler? Eduardo Leite, está na rede social dele: “Conversei há pouco com o meu colega Caiado e o cumprimentei pela escolha do PSD. Temos diferenças de visão e estilo” – e têm mesmo – “que trato com franqueza, mas temos também muitas convergências. Além disso, tenho muito respeito por sua trajetória na vida pública. A democracia exige diálogo e capacidade de reunir pessoas diferentes em torno de conceitos mínimos. É isso que pode dar direção ao Brasil e ajudar a superar a polarização”. Como teve uma manifestação no dia da indicação, que alguns entenderam como se fosse alguma divergência, ele deixou claro que naquele dia o partido fez uma opção. E agora, para superar qualquer má interpretação, fez essa declaração, porque ele realmente é um jovem extraordinário. Vamos estar todos juntos para eleger o Caiado presidente.
O sr. disse, inclusive, que ele, o Eduardo Leite, vai chegar à Presidência um dia...
Não tenho dúvida, ele é muito bem preparado.
Os jornais, alguns deles, já dizem que ele já recebeu convites de outros partidos, como, por exemplo, voltar para o PSDB. O sr. acha que essa possibilidade existe?
Acho que é muito bom que ele receba convites. Acho que me surpreenderia se não tivesse convite. Modéstia à parte, eu também recebi muitos convites ao longo da minha carreira e sempre mantive uma posição partidária muito firme. Eu estranharia se ele não tivesse convite.
O sr. está convicto de que ele fica no PSD?
Ele não tem nenhuma dúvida. Está cheio de planos para o partido, para o seu futuro. (Dizer o contrário) é próprio daqueles que querem fazer intriga porque estão preocupados com a candidatura do Caiado. A candidatura do Ronaldo Caiado, por sua seriedade, por sua história, por sua capacidade, é uma candidatura que vai se tornar muito competitiva.
O sr. recebeu críticas do presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, quando convidou os deputados do partido dele para o PSD. O que ficou daquela divergência?
Entendo o Paulo Serra, a sua motivação. Tenho boa relação pessoal com ele, respeito. Os deputados não quiseram ficar lá, a verdade é essa, por uma série de circunstâncias. Quero que o Paulo seja muito feliz, que seja bem sucedido. As janelas partidárias existem, tem aqueles que entram, aqueles que saem, e vejo com naturalidade. Acho que é uma mágoa muito mais de decepção porque gostaria que ficassem. Não vejo crise nenhuma nisso.
O sr. citou que deputados deixaram o PSDB por “circunstâncias”. Quais?
Chance de eleição, de dimensão nacional do partido, de dimensão estadual do partido. Uma série de circunstâncias que faz com que cada parlamentar avalie se é favorável ou não a sua permanência. Todos fazem isso na janela. Não há parlamentar no Brasil que não faça essa avaliação.
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